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Série “História a História - África” estreia este domingo na RTP2

Com autoria do historiador Fernando Rosas e realização de Bruno Moraes Cabral, “História a História” regressa aos ecrãs, este domingo, às 21h. Desta vez, a série é exclusivamente dedicada à história colonial portuguesa em África.
Série “História a História – África” estreia este domingo na RTP2

Depois de uma primeira temporada, em 2015, a série com autoria e apresentação de Fernando Rosas, produzida pela Garden Films, regressa à televisão pública. A estreia é já este domingo, às 21h, na RTP2. Na RTP África, a série passará nas terças-feiras, às 21h. 

A apresentação de "História a História – África" teve lugar esta terça-feira à tarde, no Palácio Foz, em Lisboa. Foi exibido o episódio "Diamang, um estado dentro do estado", que conta a história da maior companhia colonial do ciclo africano do Império e um dos cinco maiores produtores de diamantes do mundo, sustentada pela força do trabalho forçado: "Em meados dos anos 50, ocupava na Lunda, em Angola, o equivalente a quase um terço da superfície de Portugal Continental e governava com poderes majestáticos uma população de 80 mil pessoas".

Filmada em Angola, Moçambique, Cabo-Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe, esta segunda temporada da série documental começa nas guerras de ocupação e nas “campanhas de pacificação”, no século XIX, e atravessa diversas dimensões da história imperial portuguesa: as políticas coloniais da Primeira República e do Estado Novo; os projetos de povoamento branco; as diferentes formas de exploração da mão-de-obra nativa e as políticas segregacionistas; as atrocidades cometidas pela PIDE nos territórios africanos; a manutenção da escravatura; os massacres não reconhecidos oficialmente; a origem dos movimentos de libertação; as grande obras do império em Moçambique e Angola; a Guerra Colonial; a organização das lutas armadas; a insurreição dos colonos; o retorno.

“Pela mão de Fernando Rosas, visitamos os espaços mais simbólicos e marcantes da História do antigo Império Português, desde o final do século XIX até às independências das ex-colónias. Uma oportunidade única para ficar a conhecer alguns dos episódios desta História, como nunca antes foi contada”, descreve a sinopse oficial.

Esta nova série é o resultado de dois anos de trabalho de investigação, recolha de materiais iconográficos e documentais, escrita dos guiões e gravações em África. No site da produtora encontra-se uma breve descrição dos 13 episódios.

Revisitando os mitos da nostalgia colonial portuguesa

Na apresentação desta terça-feira, Fernando Rosas afirmou que a narrativa da série, “embora não fosse esse o seu objetivo”, não pôde esquivar-se a lidar com a revisitação de “três mitos ainda hoje vivazes” do discurso corrente da nostalgia colonial: o mito da longa pax imperial portuguesa em África; o mito, que é comum ao discurso de praticamente todos os regimes coloniais europeus, da sua excecionalidade cosmopolita, o do colonialismo “de rosto humano” e de “temperança cristã”; e o mito dos “brandos costumes” na África colonial portuguesa, isto é, “o mito da sua mitigada violência, associado, naturalmente, à narrativa luso tropicalista”.

O realizador, membros da equipa técnica e Fernando Rosas, em Chicala-Cholohanga, Memorial da Pedra de Candumbo - Angola. Foto de Garden Films.

“A presente série vem a público no decurso desse debate surdo, por vezes enroupado em solenes intervenções de altos responsáveis do Estado, outras vezes com aflorações de debate público entre estudiosos, frequentemente subliminar aos comportamentos do dia a dia, acerca da alegada excecionalidade luso-tropicalista do colonialismo português, se se quiser, acerca dos seus tão glosados 'brandos costumes'”, explicou o historiador.

Fernando Rosas destacou ainda “o desenvolvimento económico colonial através da ação singular de figuras como Norton de Matos” e “a análise de algumas obras públicas de envergadura, como a barragem de Cahora Bossa, em Moçambique”, como temas abordados na série, a par de um olhar sobre “alguns momentos decisivos da guerra e os efeitos sociais da débacle final do regime colonial”.

“Em suma, a inspiração da realização e a magia da imagem tentaram fazer falar as coisas; é tempo, agora, de devolver a palavra aos espetadores da RTP”, concluiu.

 

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