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Ruptura/FER abandona Bloco e constitui um novo partido

Comissão Política do Bloco de Esquerda emite uma nota endereçada a todos os seus membros onde comunica os factos relacionados com a decisão “irresponsável e sectária” do Ruptura/FER de abandonar o Bloco e constituir um novo partido.
Gil Garcia. Foto de Paulete Matos.

Leia, na íntegra, a nota da Comissão Política do Bloco de Esquerda dirigida a todos os seus membros:

“NOTA DA COMISSÃO POLÍTICA DO BLOCO DE ESQUERDA

Sobre a decisão da Ruptura/FER de abandonar o Bloco e constituir um novo partido

1. A Mesa Nacional aprovou a 3 de Dezembro a seguinte resolução, com 2 votos contra e todos os restantes a favor:

“A Mesa Nacional regista a decisão da Ruptura/FER de criar um novo partido político. Essa decisão foi comunicada publicamente, primeiro ao Jornal de Notícias, depois em jornais distribuídos nas manifestações de 15 de Outubro e de 24 de Novembro.

Essa decisão é irresponsável e um passo culminante de uma trajectória de sectarismo.

A Mesa Nacional mandata a Comissão Política para informar todos os membros do Bloco de Esquerda acerca destes factos.”

Cumprindo esta resolução, a Comissão Política comunica a todos os membros do Bloco de Esquerda os seguintes factos.

2. Em Março deste ano, antes das eleições legislativas, Gil Garcia comunicou que o Ruptura/FER estava empenhado na criação de um novo partido político, num discurso que foi colocado no youtube (aos 6´30) pelos seus autores. Desde então, os membros do grupo abandonaram as suas actividades no Bloco.

Em Setembro, Garcia declarou ao Jornal de Notícias que o novo partido seria formado no início de 2012. Nas manifestações de 15 de Outubro e 24 de Novembro, a FER distribuiu jornais anunciando a sua decisão de formar esse novo partido.

O jornal “Sol” de 9 de Dezembro, citando Garcia, anuncia que “o pontapé de saída será dado a 10 de Março com um congresso da Ruptura aberto”, que formará o novo partido.

3. O Ruptura/FER integrou-se no Bloco depois da sua fundação e, ao longo desta década, escolheu uma orientação entrista, que consistiu durante anos na ocultação das suas divergências, tendo aprovado as resoluções das Convenções que agora diaboliza. Nos anos mais recentes, passou a afirmar divergências de fundo sob qualquer pretexto. Os membros do Bloco lembram-se de intervenções tão extravagantes como o apelo à constituição de brigadas para apoiar os talibãs no Afeganistão, ou apelo ao voto em branco nas eleições presidenciais. Durante estes anos, o sectarismo absoluto tornou-se a forma de actuação do grupo. Isso ficou à vista de muitos dos seus militantes iniciais, que se afastaram do grupo e escolheram o Bloco como seu partido.

A constituição de um novo partido é a escolha do sectarismo. Enquanto o Bloco se fez para criar uma esquerda socialista com influência de massas, com convergência e força, o novo partido da FER é apenas mais um grupo, entre outros, e com a mesma linha do MRPP.

O Bloco de Esquerda não desiste nem da esquerda para a luta pelo socialismo contra o capitalismo, nem de um amplo movimento plural e representativo dos trabalhadores e jovens.

A Comissão Política do Bloco de Esquerda”

Festa Ruptura/FER 2011 - Gil Garcia

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Comentários

O Bloco precisa de intensificar o debate interno, e ao mesmo tempo avançar decisivamente, para uma maior implantação no País, deixando de contar sò com o trabalho parlamentar.

A passagem do grupo FER pelo BE, e a sua anunciada saída , deve tambem merecer uma analise profunda.

Um grupo organizado, que NUNCA se integrou no BE, que seguiu as melhores tácticas do entrismo trotsquista, pôde ao longo dos anos ter uma total liberdade de actuação, sem que alguma vez , e apesar das sucessivas ameaças de cisão, o BE tenha tomado uma posição firme para pôr cobro a uma actuação, objectivamente lesiva do projecto BE.

Há uma grande diferença entre TENDÊNCIAS ORGANIZADAS, e fraccionismo organizado.

O Bloco de Esquerda, há muito que deveria ter posto cobro á actuação fraccionista do grupo do Gil Garcia, sem que isso pusesse em causa, o debate livre das ideias, a a salutar existência de divergências.

Como é possível o BE ter durante uma década um grupo (corrente) que defende a constituição de brigadas para apoiar os talibãs no Afeganistão?

Outra coisa que deixa-me intrigado é o facto de alguns dirigentes dizerem que o Ruptura/FER nunca participou nas actividades do BE, visto que no texto da MN diz "2. Em Março deste ano, antes das eleições legislativas, Gil Garcia comunicou que o Ruptura/FER estava empenhado na criação de um novo partido político, num discurso que foi colocado no youtube (aos 6´30) pelos seus autores. Desde então, os membros do grupo abandonaram as suas actividades no Bloco.", ou seja, os Rupturas só deixaram de participar depois de Março de 2011.

Leia os textos e deixe de dizer disparates:
"Por isso, sem dar nenhum tipo de apoio político às posições dos talibãs devemos dar todo o apoio às acções da resistência."
"Resta, portanto, o voto em branco ou no candidato do PCP. Admitimos ambos os votos como votos possíveis, dado que no actual quadro político das candidaturas concretas presentes ao sufrágio, a 23 de Janeiro, não existe qualquer outra possibilidade coerente."
Distorcer ou truncar posições de adversários políticos nunca é uma boa solução. Que se critique a FER com base no que a FER defende de facto e não através da manobras.

Numa altura em que está o país a Sachs, ainda há quem se dedique ao fraccionismo e à grupusculização.
Atitude pueril e miope, se bem que bastante típica do seu principal protagonista. Lamentável.

Tanto melhor não ter aventureiros no nosso Partido. Nenhum deles trabalhou para o Partido. Só faziam o que eles pensavam ser "luta fraccional". A democracia interna supõe que quem perde as eleições se acopla e trabalha conforme as directivas do Partido. Revolucionários de café. Existem há décadas na esquerda.
Ganhamos muito com esta limpeza.
Agora a aumentar o tono da luta, que os ricos estão nos bater duro

"Conjunto dos destroços das sucessivas vagas de aventureirismo e imediatismo com retórica de esquerda e débil ligação às massas populares que vão dando à costa da História (...)" a frase não é minha mas, se calhar, aplica-se ao conjunto de TENDÊNCIAS ORGANIZADAS que constitui o B.E.
A "grande diferença" entre as tendências e o faccionismo analisa-se com recurso a que ferramenta teórica ? O materialismo dialéctico, ou, como a "cartilha" dá muito trabalho a ler, será a "estratégia moderna e de confiança" ? Dani

Foi o desfecho lógico para a Ruptura/FER, que vinha ameaçando bater com a porta, mas não sabia quando. É verdade o que se plasma no comunicado. A FER até já tinha retirado o seus ativistas das concelhias. Mas o Bloco não podia explusar a Ruptura/FER. Não somos impositivos a esse ponto. A FER, entrou no Bloco, participou no Bloco, o Bloco absorveu ativistas da FER, mas a FER sempre quis realizar uma política divorciada da verdade das eleições internas. Não somos uma barriga da aluguer. Agora a FER, tem todo o ano de 2012, para colocar a sua agenda populista em prática, que no meu ponto de vista vai passar despercebida até às proximas eleições. Acrescento que a FER já tinha na manga uma manobra para se aproximar dos movimentos dos indignados, com 2 objetivos, usa-los como arma de arremesso na próxima convenção ou usa-los como base para um novo partido. Vingou a segunda hipótese. Não sei como vão lidar com o Gil Garcia e os seus tiques estalinianos.

Esta nota da Comissão Política só pode ser uma brincadeira. Parece que, não satisfeitos com o afastamento destes militantes, querem afastar mais uns quantos...

Feijó, mas os amigos do Gii Garcia saíram quando lhes apeteceu, depois de o terem anunciado uma dezenas de vezes, ao longo dos anos.

Aliás a Comissão Pollitica do BE , nada fez, quando deveria ter feito, para os afastar.

Augusto, a saída dos Ruptura é com eles, não é o meu tema de debate per si. O que comentei foi a nota da comissão política. É completamente ridícula, de uma desonestidade política bruta e de uma falta de senso inacreditável. Se por um lado acho moralmente incorrecto, por outro acho uma estupidez na capacidade de comunicar com o povo português.

a ler:
http://viasfacto.blogspot.com/2011/12/ruptura.html

A mesa nacional regista a decisão da Fer de criar um novo partido-Regista a partir de quando? Regista quando muito o reconhecimento da parte do BE dessa saída, cuja intenção e ponderação, isso sim, já é anunciada pelo FER há muito! Pergunto porquê apenas agora não mais tolerar, pasme-se, as ameaças de cisão da FER, quando, como dizem, e fizeram questão de apontar e escrutinar até à exaustão, o Gil Garcia já tinha comunicado essa intenção na festa do Ruptura, em Março? Mais a FER sempre foi do contra, mas, simultaneamente, ocultou as suas divergências? Então como é afinal? "Tendo aprovado as resoluções das convenções que agora diaboliza"?! Quais? Que resolução da moção A foi aprovada por militantes do Ruptura/FER? A de apoiar o Manuel Alegre essa não foi de certeza porque nem sequer foi discutida em convenção! Já a calúnia dos talibãs isso sim é infantil, e tenho pena de alguma vez ter pertencido a um partido que perante a discordância chama os outros seus "camaradas" de talibãs. Triste

Não concordam connosco? Estão a ajudar a direita - Fantástico!

Divergências? Criticismo, divisões? Sectários! O PSD agradece! - Brilhante!

Por essa lógica, então porque raio formar o BE para começar? Levando esse argumento à última consequência, então mais valia a malta do PSR, da UDP, da Política XXI, e de tudo quanto é partido de esquerda em Portugal, ter-se limitado a integrar todos o PCP, e tentar mudá-lo por dentro, por muito Estalinista que fosse, e ainda que o seu próprio funcionamento burocrático impossibilitasse qualquer real mudança. Afinal, unidade é connosco não é? A Esquerda não ganha nada porque não se une, etc. É o Bloco é que repetidamente recusa a unidade até com a FER, inclusive no movimento estudantil. Termino com uma crítica paternalista ao bom estilo do Bloco de Esquerda "Sejam coerentes!"

Sou apenas, ou melhor, fui simpatizante de longa data e nas eleições de Junho não votei no BE, votei MPT pelo motivo que levaria à votação que o BE acabou por ter.

Foi também com o meu voto que se elegeu o 1º deputado no Porto, o Teixeira Lopes.

Face a esta cisão, que só enfraquece o BE, vi com muita mágoa a comunicação do deputado pelo Porto João Semedo fazer uma justificação em relação aos dissidentes como já não via do tempo dos afastados do PCP e dos discursos do Salazar/Marcelo em relação ao grupelho....

Eu até tenho pensado que o João Semedo deveria ser o coordenador do BE por ser mais moderador que o Louça, e que este deveria seguir o exemplo da Joana Amaral Dias.... mas este discurso fez-me reflectir!

Claro que estou de fora e não vejo os meandros da coisa, mas por vezes vê-se melhor à distância.

Como disse atrás não votei no BE e por este caminho não voltarei a votar e não será grande risco dizer que o BE já foi do nosso aspectro político.

Reflexão pede-se..

Á custa deste Senhor Gil o Bloco perdeu muitos votos. Não é com discurso fracturante e demasiado agressivo que se chega á maioria das pessoas.
Quem é que dá o seu voto a alguém que pensa que estamos na década de 70?
O Bloco precisa de pessoas com discurso razoável e credível.
quando o Dr. Semedo, Dr. Douçã, Dr. Fernando Rosas, Helena pinto falam as pessoas escutam. Porque será? Porque precisamente saberem falar com calma e saberem ser razoaveis. Tão simples quanto isto.

O Bloco para ter deputados precisa de votos, de toda a gente e não só de meia dúzia de adolescentes que se empolgam com discurso revolucionário, e por vezes sem sentido e com agressividade idiota.

Força Bloco

Realmente penso que a saída poderá não servir a causa anunciada. Mas tenho de concordar com a maioria dos argumentos apresentados. É verdade que será impossível, para algum partido de esquerda governar em portugal se BE e PCP não chegarem a um entendimento. E mesmo que cheguem a uma qualquer união, duvido muito que algum dia tenham votos suficientes.. As eleições da burguesia, nunca irão servir os interesses dos trabalhadores. Não percebo como é que, quando se sabe que o sistema está mal, quando se critica esse mesmo sistema, ainda se quer fazer parte dele.

depois do partido ser formado, restara' ao eleitor de esquerda analisar as diferencas entre os dois partidos e escolher aquele que julgue mais adequado. Uma coisa parece certa, o novo partido nao apoiara' autarcas que defendem touradas, ao contrario do Bloco de Esquerda (sim, ainda nao nos esquecemos..)

Gente, eu moro no Brasil, não acredito que alguém tem coragem de colocar um texto como o acima num site! O BE me parece a versão portuguesa da DS daqui (a corrente da "esquerda do PT", que perdeu todos os seus militantes de base pro PSOL porque ficou fazendo contra eles calúnias do mesmo gênero que a direção do BE está fazendo com a FER!). É eleitoralismo demais, vocêm nem mesmo defendem mais o não pagamento da dívida, o site prioriza a intervenção parlamentar. A decisão da FER pode ser perda de tempo, ainda não dá pra saber se eles vão criar um partido de verdade ou apenas disfarçar a corrente deles de partido, mas a maior perda de tempo é ficar nesse pacto de não agressão entre "trotskistas" e "maoístas", coberto pela demagogia da unidade, e voltado para o eleitoralismo mais raso! Ninguém é obrigado a ficar num partido reformista assim!

É legitima essa cisão.Haverá um novo Partido e bem.Para repor a originalidade perdida pelo BE.Louçã e Fazenda repetem os mesmíssimos piropos do PCP quando nasceu o BE. Esse grupo constituirão o novo Partido por não se sentiram com obrigação de engulir sapos como esse do Apoio ao Alegre e um outro sobre a Renegociação da Dívida. Deve-se pugnar pela suspensão e nenhum pagamento da dívida. Que a pague que a fez! O BE e o PCP denunciam e bem que essa dívida provoca recessão, desemprego, etc. Depois pedem uma Renegociação! Isso é o quê? Estamos cegos? Renegociar é ACEITAR pagar com um descontozinho.Ainda sobre a saída de Militantes do BE. Estes sempre participaram em todas as lutas(excepto nessa miserável do Alegre) e todos ou quase todos os Camaradas foram alvo de ofensas, insultos e enxovalhos por divergirem!Mais:na 7ª Convenção,a Moção C(essa que agrupa os que vão sair) foram constantemente apupados,assobiados nas suas interevenções! O BE é uma causa perdida e isso vai acentuar-se!

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