“Redução do número de deputados não resolve nenhum problema da democracia”

01 de junho 2014 - 19:19

João Semedo lamenta a concordância entre Seguro e Costa quanto à proposta de reduzir o número de deputados na AR. A Mesa Nacional do Bloco reuniu este domingo para analisar os maus resultados do partido nas eleições europeias e marcar a IX Convenção para 22 e 23 de novembro.

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João Semedo resumiu as causas identificadas na direção do Bloco para os maus resultados nas eleições europeias. Foto Paulete Matos.

Na conferência de imprensa a seguir à reunião da direção bloquista, João Semedo afirmou que “o Bloco regista e lamenta que tanto António José Seguro como António Costa pretendam agora reduzir o número de deputados”. Para o coordenador do Bloco, essa ideia, que já foi proposta por diversas vezes ao longo dos anos, “não resolve nenhum problema da democracia portuguesa, pelo contrário, é uma forma de reduzir a riqueza e a pluralidade, a representatividade e a pluralidade da AR”.

“Tal como passado, o Bloco estará contra qualquer tentativa de reduzir o número de deputados”, sublinhou Semedo antes de passar ao resumo da análise dos resultados das eleições de 25 de maio. O Bloco considera que a nível europeu eles mostram “uma profunda crise do sistema político europeu, com a perda de força dos partidos do centro, uma taxa de abstenção brutal, e reforço dos partidos da extrema-direita, xenófobos e eurocéticos”, que representaram um em cada quatro votos.

“O reforço do eixo Paris-Berlim assegurará a continuidade uma brutal austeridade e exigência de cumprimento do Tratado Orçamental”, prosseguiu Semedo, esclarecendo que com a nova configuração de forças, a política do Bloco “será cada vez mais defender o país das instituições europeias e desobedecer à União Europeia: isso significa revogar o Tratado Orçamental e reestruturar a dívida”.

A Mesa Nacional definiu um calendário de debates sobre as causas e as consequências dos resultados de 25 de maio e a evolução do projeto e espaço político que o Bloco hoje representa. “Até ao fim de Junho, os núcleos, concelhias e distritais reunirão os aderentes para realizar esta reflexão”, aberta a simpatizantes e apoiantes que não tenham aderido ao partido.

Quanto aos resultados do Bloco, Semedo considerou-os “maus”, uma vez que “não atingimos o objetivo que nos propusemos”. “Eles continuam uma sequência de resultados negativos desde 2011 e foi isso que a Mesa Nacional esteve a discutir”, explicou o coordenador do Bloco. Alguns dos factores apontados no documento aprovado pela Mesa Nacional são o desgaste acumulado dessa série de derrotas, “que alimentaram uma continuada narrativa em torno do inevitável declínio do Bloco”. Mas também “a exploração pública de divergências e críticas internas” e, com maior peso, “a abusiva responsabilização do Bloco pela falta de um processo de real convergência à esquerda, em torno do qual se criaram expectativas que, sem base política, acabaram por não se concretizar”. Os dirigentes bloquistas também que a imagem do partido surge “demasiado marcada pelas instituições em que travamos parte da nossa luta, como os parlamentos e as autarquias” e que a falta de enraizamento da base social do partido tornou mais difícil a resistência “à pulverização da esquerda e as formas de populismo que marcam este contexto”.

A Mesa Nacional definiu um calendário de debates sobre as causas e as consequências dos resultados de 25 de maio e a evolução do projeto e espaço político que o Bloco hoje representa. “Até ao fim de Junho, os núcleos, concelhias e distritais reunirão os aderentes para realizar esta reflexão”, aberta a simpatizantes e apoiantes que não tenham aderido ao partido. Com esta iniciativa os bloquistas pretendem “retomar o espírito fundacional do Bloco, agregador e intransigente, que vá além dos limites partidários e envolva os ativistas e os movimentos sociais, indispensáveis ao diálogo para a construção de uma alternativa alargada”. Para 22 e 23 de novembro fica marcada a próxima Convenção, que avaliará o trabalho dos últimos dois anos e definirá quer a linha política quer a direção do partido para os próximos dois anos.