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Protestos anti-tourada em Lourosa e Barcelos

Numa ação promovida pelo Bloco de Esquerda, dezenas manifestaram-se em Lourosa, onde se realizou uma tourada com o apoio da Câmara Municipal de Santa Maria da Feira. Também neste domingo, em Barcelos, uma manifestação reuniu cem pessoas num protesto contra a realização de uma tourada apoiada pela associação dos bombeiros local.
Numa ação promovida pelo Bloco de Esquerda, dezenas manifestaram-se em Lourosa, onde se realizou uma tourada com o apoio da Câmara Municipal de Santa Maria da Feira.

Este domingo foi marcado por protestos anti-tourada em Lourosa, ação promovida pelo Bloco de Esquerda e que contou com a presença do deputado Pedro Filipe Soares, e em Barcelos, onde o apoio da associação de bombeiros local a uma tourada motivou a indignação de uma centena de pessoas.

Bloco condena apoio público a eventos tauromáquicos

Apesar do município não ter qualquer tradição tauromáquica, este domingo realizou-se uma tourada em Lourosa com o apoio da Câmara Municipal de Santa Maria da Feira. O evento realizou-se em terrenos de uma empresa camarária.

O Bloco de Esquerda organizou uma manifestação contra este evento, em defesa do bem-estar animal, que contou com a presença do deputado Pedro Filipe Soares. Nela participaram várias dezenas de pessoas, entre as quais se encontravam também representantes do PAN, do PCP e da associação ANIMAL.

A entidade promotora, o Lusitânia Futebol Clube, deixou a organização do evento a cargo de uma empresa privada que lhe prometeu parte dos lucros com as vendas de bilhetes. No entanto, não são esperados quaisquer lucros.

Na última Assembleia Municipal de Santa Maria da Feira, as/os representantes do Bloco de Esquerda apresentaram uma moção para que a Câmara se comprometesse a não apoiar quer financeiramente quer logisticamente qualquer espetáculo tauromáquico. Esta moção foi chumbada com os votos a favor do Bloco, do PCP e do PS e os votos contra do PSD e do CDS.

Pedro Filipe Soares anunciou que irá questionar a Direção Geral de Veterinária sobre a falta de condições sanitárias naquele evento.

Uma centena de pessoas gritou “tortura não é cultura”, em Barcelos

“Não faz sentido nenhum uma instituição que tem por lema ‘vida por vida’ associar-se a um evento de morte, a uma tortura de animais”, disse o ativista dos direitos dos animais, Vasco Santos. “Estão aqui a apoiar a morte de seis touros e a seguir vão ajudar a tirar um gato do telhado ou a resgatar um cão de um poço”, ironizou.

Os manifestantes concentraram-se no centro da cidade de Barcelos e depois rumaram até ao local da tourada, que decorreu numa arena amovível, entoando palavras de ordem como “tourada em Portugal é vergonha nacional” e “tortura não é cultura”.

Adriana Torres, 20 anos, confessava-se envergonhada por a sua cidade ser palco de um “espetáculo degradante, de tortura de animais”. “Barcelos não tem qualquer tradição de touradas e é triste que hoje entre no mapa noticioso pelos piores motivos.”

A tourada reverte, em parte, a favor dos Bombeiros Voluntários de Barcelos, cujo comandante, José Quinta, disse “aceitar com educação” a manifestação, mas lamentou as “palavras menos agradáveis” dirigidas à corporação, retorquindo também com muito pouca simpatia: “Confesso que me custa ver pessoas que não fazem nada na vida, que vivem à custa dos outros, a chatear os que trabalham por eles”.

José Quintas acrescentou que a corporação aceitou associar-se a esta tourada porque os corpos de bombeiros estão a passar “por muitas dificuldades” e “toda a ajuda é preciosa”. Segundo José Quintas, 20% da receita total reverte a favor dos bombeiros. A arena tem cerca de 2500 lugares, variando os bilhetes entre 15 e 20 euros, consoante sejam lugares ao sol ou à sombra.

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