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Profissionais de saúde e doentes apelam à legalização da canábis para fins terapêuticos

Mais de 100 médicos, enfermeiros, psicólogos, investigadores e doentes escrevem carta aberta aos partidos politicos representados na Assembleia da República para que seja legalizada a canábis medicinal. Parlamento discute projeto de lei do Bloco de Esquerda esta quinta-feira. 
"A planta da cannabis tem inúmeros efeitos medicinais que podem e devem ser colocados ao serviço das pessoas", defendem os autores da carta aberta.

“A investigação científica tem revelado dados consistentes e sistemáticos sobre os efeitos benéficos desta planta no controlo da dor, na regulação do apetite, no controlo de sintomas associados a doenças neuromusculares, no tratamento do glaucoma, na diminuição dos efeitos secundários negativos que resultam de tratamentos oncológicos, entre muitas outras situações”, lê-se na carta aberta, que esta terça-feira, pede ao parlamento que avance com a legalização da canábis para uso medicinal.

O documento, divulgado esta terça-feira, é subscrito por 108 personalidades ligadas à área da sáude, entre elas Jorge Espírito Santo, médico oncologista, Alfredo Frade, médico psiquiatra, José Aranda da Silva, farmacêutico e primeiro presidente do Infarmed, João Lavinha, ex-presidente do Instituto Ricardo Jorge, João Semedo, médico, Ana Matos Pires, médica psiquiatra, Mário Durval, médico de saúde pública, Mónica Sousa, Neurocientista do IBMC/i3S, Alda de Sousa, docente do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, Luís Mendão, presidente do GAT - Grupo de Ativistas em Tratamentos, Maria Fernanda Ventura, Associação de Mulheres com Patologia Mamária, Rui Moreno, diretor da Unidade de Cuidados Intensivos Neurocríticos do Hospital de São José e Pedro Andrade Alves, paraplégico e consumidor de canábis para fins terapêuticos.

Esta quinta-feira, 11 de janeiro, é discutido um projeto de lei do Bloco de Esquerda que propõe a legalização da canábis para a usos terapêuticos.

Leia abaixo a Carta Aberta na íntegra 

Canábis para Fins Medicinais

 

A planta da cannabis tem inúmeros efeitos medicinais que podem e devem ser colocados ao serviço das pessoas.

A investigação científica tem revelado dados consistentes e sistemáticos sobre os efeitos benéficos desta planta no controlo da dor, na regulação do apetite, no controlo de sintomas associados a doenças neuromusculares, no tratamento do glaucoma, na diminuição dos efeitos secundários negativos que resultam de tratamentos oncológicos, entre muitas outras situações.

Perante a evidência científica e os benefícios da utilização da cannabis para fins medicinais, muitos países já legalizaram a prescrição médica e dispensa desta planta, substâncias e preparações derivadas, entre eles o Canadá, a Alemanha, a Holanda, a Itália, a República Checa, vários estados dos Estados Unidos da América, a Dinamarca, a Argentina, o México ou o Uruguai.

Nestes países, a cannabis pode ser utilizada pelos médicos como uma ferramenta terapêutica eficaz e segura e está disponível e acessível aos doentes. Infelizmente, esta ainda não é uma realidade em Portugal, pelo que consideramos ser necessário legalizar a cannabis para fins medicinais no nosso país.

A legalização permitiria o acesso à cannabis, em condições reguladas e com garantia de qualidade e segurança, por parte dos milhares de doentes que dela poderiam beneficiar. A legalização permitiria a melhoria da qualidade de vida dessas muitas pessoas e um maior e melhor acesso ao tratamento mais adequado ao seu estado de saúde. 

Por tudo isto, consideramos que a legalização da cannabis para fins medicinais deve avançar rapidamente e tornar-se uma realidade em Portugal. É uma medida eficaz e segura, baseada em evidência científica e na experiência internacional, que irá acrescentar uma opção importante ao arsenal terapêutico disponível para as situações em causa. 

Apelamos aos vários partidos políticos representados na Assembleia da República para que tornem esta medida possível.

Signatários:

Adriana Curado – psicóloga no In Mouraria | Adriana Lopera – enfermeira | Afonso Moreira – médico interno de saúde pública | Alda Sousa – docente no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar | Alexandra Camilo - psicóloga clínica | Alexandra Oliveira – psicóloga e professora universitária | Alfredo Frade – médico psiquiatra | Ana Alexandra – psicóloga clínica| Ana Matos Pires – médica psiquiatra | Ana Montrond -  técnica no projeto Intendente | André Beja - enfermeiro e investigador em políticas de saúde | André Faustino -  Médico | Andreia Nisa – jurista, coordenadora de projetos na APDES |António Rodrigues – médico especialista em medicina geral e familiar |Bruno Maia - médico neurologista | Carlos Poiares – advogado e professor de psicologia criminal | Cátia Bragança - psicóloga clínica | Cristina Guerreiro – médica de ginecologia e obstetrícia | Daniel Simões – psicólogo e coordenador da Rede de Rastreio Comunitária | Diana Santos – psicóloga clínica | Diogo Gaivoto - enfermeiro | Edite Spencer – médica de família | Estela Nogueira – médica nefrologista | Eurico Figueiredo - professor catedrático de Psiquiatria e Saúde Mental | Fátima Marras – enfermeira | Fernanda Lopes – enfermeira especialista em saúde mental e psiquiatria | Filipe Couto Mendes – médico interno de psiquiatria | Filipe Gonçalves – fisioterapeuta | Francisco Antunes - médico infeciologista  | Gilberto Couto – médico gastroenterologista | Helena Peixoto – pessoa com doença e utilizadora de canábis para fins terapêuticos | Henrique Barros - médico e presidente do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto | Inês Correia – enfermeira no projeto Move-se | Jennifer Santos – médica | Jesus Rojas - médico | Joana Barros – psicóloga | Joana Canedo - trabalha em advocacy e políticas públicas na APDES | Joana Pereira – técnica de Redução de Riscos e Minimização de Danos | Joana Pires – estudante de enfermagem | Joana Sanches - enfermeira no In Mouraria | Joana Santos – médica | João Bettencourt Relvas – neurocientista | João Lavinha – ex-presidente do Instituto Ricardo Jorge | João Santa Maria - pessoa com  VIH, utilizador de canábis para fins terapêuticos  | João Semedo – médico | Jorge Espírito Santo - médico oncologista | Josefa N. S. Pandeirada – Investigadora na área da Psicologia | José Almeida - médico internista | José Aranda da Silva - farmacêutico, primeiro presidente do Infarmed | José Maria Moreira - engenheiro biomédico e investigador | Júlio Esteves - pessoa com epilepsia e utilizador de canábis para fins terapêuticos | Kevin Oliveira - enfermeiro de Psiquiatria |  Luís Fernandes – psicólogo, docente universitário e investigador na área das drogas | Luís Mendão – presidente do GAT | Luís Rhodes Baião – farmacêutico | Luís Veríssimo - técnico comunitário no CheckpointLx |Lurdes Rodrigues – psicóloga clínica | Manuel Abecassis – médico interno | Maria Carmo Carvalho – psicóloga, investigadora e docente do ensino superior | Maria Fernanda Ventura – Associação de Mulheres com Patologia Mamária | Maria João Brás - pessoa com doença e técnica de rastreio no projeto Move-se | Maria João Cosme - psicóloga clínica | Maria José Campos - médica internista | Mariana Oliveira – psicóloga | Marília Costa – técnica de Serviço Social | Mário Durval – médico de saúde pública | Mário Gonçalves – psicólogo estagiário | Marisa Miraldo - professora catedrática,  economista na área da saúde  | Marta Borges – assistente social | Marta Maia – antropóloga | Miguel Correia - enfermeiro | Miguel Rocha - enfermeiro saúde comunitária CheckpointLx | Mónica Sousa – Neurocientista IBMC/i3S, Universidade do Porto | Patrícia António Brilhante - psicóloga clínica | Paulo Fidalgo – médico | Pedro Alves Andrade -  paraplégico e utilizador de canábis para fins medicinais | Pedro Daniel Ferreira – psicólogo e professor do ensino superior | Pedro La Féria - médico internista | Pedro Marques Catita - psicólogo clínico | Ricardo Fuertes – psicólogo | Rita de Aires - psicóloga do comportamento desviante | Rita Faísca – infeciologista | Rosa Freitas - técnica coordenadora do Espaço Intendente | Rui Machado – psicólogo | Rui Moreno - diretor da Unidade de Cuidados Intensivos Neurocríticos do Hospital de S. José | Sara Ferreira – médica especialista em medicina geral e familiar | Sebastião Torres – médico psiquiatra | Sérgio Rodrigues – educador de pares na APDES | Sérgio Vitorino -  ativista e consumidor para fins terapêuticos | Sofia Crisóstomo – farmacêutica | Susana Andrade - assistente social nos Cuidados de Saúde Primários |Susana Rojão - psicóloga clínica | Teresa Castro - assistente social no projeto IN-Mouraria | Teresa Summavielle - Investigadora e docente do ensino superior, diretora do laboratório "Biologia da Adição" no I3S Porto | Tiago Sá – médico | Victor Mateus – Vice-Presidente da Dravet Portugal | Vítor Amorim Rodrigues - médico psiquiatra, professor universitário

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