Em comunicado, a Comissão de Trabalhadores (CT) da RTP refere que “é um direito das comissões participar nos processos de reestruturação das empresas (...), pelo que não prescinde de acompanhar e de ser informada sobre o plano de reestruturação da empresa”.
A CT considera também que o plano pedido pelo ministro Miguel Relvas, e que deverá ser entregue pela administração até 15 de Setembro, é “extemporâneo e uma falácia”, “porque ao mesmo tempo a tutela convida o economista João Duque a encabeçar um grupo de trabalho cujos objectivos são definir o que é serviço público no prazo de dois meses, o conselho de administração da empresa tem de apresentar um plano de reestruturação antes de se conhecerem as conclusões deste grupo de trabalho”.
Salientando que a privatização da RTP é um “ um erro colossal com repercussões trágicas que ultrapassam o sector empresarial de comunicação social do Estado”, a CT diz ainda que a confirmar-se a intenção da venda de um dos canais públicos à Ongoing tal “representaria uma interferência abusiva de favorecimento por parte do Governo e a alienação inadmissível de um bem do Estado”.
A CT lembra que a RTP já está a cumprir um plano de reestruturação financeira, acordado em 2003, pelo que “terá dificuldades em reduzir naquilo que são os seus compromissos com o serviço público” e considera que o actual Conselho de Administração terá aqui “uma derradeira oportunidade para acabar com a injustiça nas desigualdades remuneratórias entre os trabalhadores, que são a causa de um clima insustentável de mau estar entre os profissionais da empresa”.