Precários lançam debate nacional sobre Segurança Social

12 de fevereiro 2011 - 13:41

Os movimentos de precários que lançaram a petição "Antes da dívida temos direitos!", subscrita por mais de 12 mil pessoas, iniciam este sábado uma segunda fase da luta pelos direitos devidos a cerca de 900 mil trabalhadores a falsos recibos verdes.

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Os precários irão percorrer o país, começando já este sábado, no Porto e em Braga, promovendo duas sessões de esclarecimento/debate sobre a Segurança Social e o novo Código Contributivo.

Sob o lema "Segurança Social: Direitos e Contribuições" os movimentos Precários Inflexíveis, FERVE - Fartos d'Estes Recibos Verdes e a Plataforma dos Intermitentes do Espectáculo e do Audiovisual irão percorrer o país, começando já este sábado, dia 12 de Fevereiro, no Porto e em Braga – ver agenda - promovendo duas sessões de esclarecimento/debate sobre a Segurança Social (SS) e o novo Código Contributivo, que se encontra em vigor desde o dia 1 de Janeiro de 2011.

Trata-se, segundo anunciam em comunicado de imprensa, de “lutar pelos direitos devidos a cerca de 900 mil trabalhadores a falsos recibos verdes que enfrentam uma situação desigual na sua contribuição para o Sistema Previdencial de Segurança Social”.

Estes movimentos dizem-se dispostos a “correr o país” em prol da defesa de “uma sociedade com direitos no trabalho e na vida”, “não dispensando uma Segurança Social forte e universal”. Neste sentido propõe-se a lançar um debate nacional sobre o direito à Segurança Social, através do qual pretendem contactar muitos milhares de trabalhadores a falsos recibos verdes, “renovando e aumentando a força social” para impor, “a qualquer que seja o governo”, as alterações necessárias para que sejam repostos os direitos dos trabalhadores e “para que seja cumprida a democracia também no local de trabalho”.

“Antes da dívida temos direitos!”: uma reivindicação que se mantém

Os movimentos que organizaram no ano passado a recolha de 12 mil assinaturas para uma petição que exigia justiça nas contribuições sociais para os trabalhadores a recibo verde, nomeadamente no que diz respeito às dívidas à SS contraídas numa situação de prestação de serviços ilegal, os chamados falsos recibos verdes, lembram que em resposta à petição apresentada, apenas o Bloco, o PCP e o PS apresentaram propostas concretas. 

Lembram também que “o grupo parlamentar do PS apresentou a sua proposta no dia que antecedia o debate no plenário da AR, evitando assim o debate público sobre a proposta em causa”. O projecto de resolução do PS foi aprovado com os votos do PS e do CDS/PP, que, dizem os movimentos, comprometeu-se a apresentar uma proposta e nunca o fez. O PSD foi o único grupo parlamentar que não se mostrou disponível para receber os movimentos e também não apresentou qualquer proposta com vista a resolver o problema apontado na petição, informam também.

Os precários consideram a proposta do PS aprovada uma “afronta hostil e uma fraude” que desrespeita todos os trabalhadores deste país porque mantém a situação de total desprotecção do trabalhador. “Com esta proposta, em qualquer conflito laboral, é o trabalhador que terá de fazer cumprir a lei”, dizem. 

Para os movimentos, teria sido possível encontrar soluções efectivas para "o profundo problema social" apresentado. 

Na altura, o Bloco apresentou um projecto de resolução que respondia ao problema, assegurando mecanismos que enfrentariam a fraude e garantiriam a protecção dos trabalhadores prejudicados no processo de regularização das dívidas, responsabilizando as entidades empregadoras incumpridoras.