De acordo com o índice da Agência das Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) para os preços dos alimentos, que analisa mensalmente as variações dos preços alimentares a nível mundial de um conjunto de produtos básicos, em janeiro foi atingido o nível mais alto desde 1990, ano em que a FAO começou esta análise.
O Índice da agência de 55 matérias-primas alimentares atingiu 231 pontos no mês passado, um aumento de 3,4% face a dezembro de 2010. Segundo a FAO, a tendência de crescimento dos preços alimentares manter-se-á nos próximos meses.
Os maiores aumentos registados pertencem às matérias-primas relacionadas com os lacticínios, que lideraram os crescimentos entre as cinco categorias de produtos alimentares, com uma subida de 6,2 por cento.
O único preço que se manteve inalterado foi o da carne, o que se explica, nomeadamente, e segundo os economistas da FAO, pelo escândalo de contaminação da carne europeia.
O especialista da FAO Abdolreza Abbasian afirmou que "as novas cifras mostram claramente que a pressão em alta sobre os preços mundiais dos alimentos não se enfraquece".
A FAO alerta para uma possível nova crise dos alimentos, como a registada em 2007 e 2008.
O crescimento populacional, o aumento do consumo em países como a China e Índia, a perda de hectares cultiváveis que são afectos à construção ou à plantação de biocombústiveis, os efeitos das alterações climáticas e as perdas de alimentos na Rússia e na China decorrentes das secas, entre outros, vão contribuir ainda mais para o aumento dos preços alimentares mundiais, que afectam, de forma mais dramática, as populações com menores rendimentos.