PISA: “Cultura de retenção tem de ser combatida”

06 de dezembro 2016 - 23:47

Joana Mortágua disse que os resultados do PISA devem ser analisados de forma cuidadosa porque as políticas de seletividade na educação do anterior governo podem ter influenciado os resultados.

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“A cultura de retenção tem de ser analisada e combatida”,disse a deputada. Foto de Paulete Matos
“A cultura de retenção tem de ser analisada e combatida”,disse a deputada. Foto de Paulete Matos

A dirigente do Bloco disse aos jornalistas que os resultados do relatório do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA), “confirmam a tendência de 16 anos em Portugal de ir melhorando nos resultados internacionais”.

“Qualquer reforço positivo é um indicador positivo e temos de ficar contentes. Agora, não devemos entrar numa luta para ver quem é o responsável por estes resultados", sublinhou.

A parlamentar bloquista referiu a "cultura da retenção" de alunos em Portugal e aquilo que diz ter sido a criação de "guetos educativos" da responsabilidade do ministro da Educação do executivo do PSD/CDS, Nuno Crato.

Joana Mortágua lembrou a "dualização precoce do ensino" iniciada pelo Governo de Passos Coelho e Paulo Portas, levada a cabo pela vertente "vocacional profissionalizante", para a qual foram sendo recomendados, "desde os 12 ou 13 anos, aqueles que tinham um mau desempenho escolar, ou seja, retirados do sistema e da amostra representativa do universo para o PISA".

“Aumento da seletividade”

"Houve um aumento da seletividade do sistema e um encaminhamento para guetos educativos, cerca de 20 mil alunos no básico, outros 20 mil no secundário, afastados do ensino regular", referiu.

A dirigente do Bloco disse ainda que Portugal tem "uma taxa de retenção que é o dobro da registada Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) e os alunos que chumbam têm resultados piores".

"Metade foi ficando pelo caminho e tinha resultados piores”, declarou.

Por esta razão, a parlamentar do Bloco disse que “a cultura de retenção tem de ser analisada e combatida”.

“Se formos ver, a maioria dos alunos não apanhou algumas das reformas mais emblemáticas de Nuno Crato, por exemplo os exames precoces ou reformas curriculares, portanto seria espúrio tentar dizer de quem é o mérito, a culpa, de qualquer resultado em que se cruzam políticas educativas", avançou.

O PISA é um estudo internacional coordenado em Portugal pelo Instituto de Avaliação Educativa (IAVE) e que avalia os conhecimentos dos alunos de 15 anos em matemática, leitura e ciências.