Paulo Núncio foi advogado da empresa que mais transferiu para offshores

11 de março 2017 - 0:02

Paulo Núncio foi advogado da petrolífera venezuelana PDVSA, que foi a empresa que fez a transferência da maior parte dos dez mil milhões de euros para paraísos fiscais. Catarina Martins realça: “porta giratória entre poder político e poder económico é como é feito o assalto à riqueza no nosso país”.

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Paulo Núncio falando na comissão parlamentar sobre as transferências para paraísos fiscais, 1 de março de 2017 – Foto Tiago Petinga
Paulo Núncio falando na comissão parlamentar sobre as transferências para paraísos fiscais, 1 de março de 2017 – Foto Tiago Petinga

88% do BES

Segundo o jornal eletrónico ECO, 88% dos quase 10 mil milhões de euros que foram transferidos para offshores, fugindo ao fisco, são do BES, soube-se esta sexta-feira.

Entretanto, o Jornal Económico noticiou que parte significativa desse dinheiro são receitas da venda de petróleo da empresa estatal venezuela PDVSA, que saíram do BES para o Panamá. O jornal refere ainda que, além desta parte, outra “parcela de peso” é de pagamentos de financiamentos indiretos do BES às empresas do grupo GES, via Panamá, que foram liquidados e sucessivamente renovados junto do ES Bank Panamá.

Paulo Núncio foi advogado da PDVSA durante três anos

Na noite desta sexta-feira, 10 de março, o Observador deu a conhecer que o antigo secretário de Estado dos Assuntos Fiscais do governo PSD/CDS-PP Paulo Núncio foi advogado da PDVSA durante três anos.

Segundo o Observador, Paulo Núncio fez parte da equipa do escritório Garrigues, que trabalhou com a PDV Europe, o braço da PDVSA para a Europa.

A própria Garrigues garante ao Observador: “Os serviços prestados à PDV Europe entre 2008 e 2010, período em que esta entidade foi cliente da firma, foram prestados por uma equipa na qual também estava integrado o Dr. Paulo Núncio.”

Porta giratória entre poder político e poder económico”

Em sessão realizada nesta sexta-feira em Braga, a coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, falou sobre a mais recente evolução do caso dos dez mil milhões para offshores e, alertando que “ainda não temos as respostas para tudo” e que “devemos fazer perguntas antes de tirar conclusões”, apontou: “Convenhamos que a porta giratória entre o poder político e o poder económico tem sido a forma como é feito o assalto económico, o assalto à riqueza do nosso país por uns poucos contra a grande maioria”.

“Como sempre temos dito no Bloco de Esquerda, não acreditamos que o problema seja a falta de capacidade do nosso país, acreditamos que o problema está sempre na má distribuição”, sublinhou ainda Catarina Martins.