A porta-voz do Bloco interveio no encerramento do jantar comício do Bloco de Esquerda em Salvaterra de Magos, após um dia de pré-campanha que passou também pela visita à Companhia das Lezírias com os candidatos do distrito. Sobre o debate televisivo entre Passos Coelho e António Costa, Catarina Martins destacou “o novo mito urbano” que o primeiro-ministro trouxe ao frente-a-frente com o líder do PS: “disse que não teve nada a ver com a troika, que reuniu ligeiramente numa horita com a troika e por isso não tem nada a ver com o que aconteceu. Se a campanha continua daqui a um mês, Passos Coelho ainda diz que foi ele que foi ao Tribunal Constitucional para travar os cortes nos salários e nas pensões…”, ironizou.
“É sintomático que o debate tenha sido sobretudo sobre o passado e muito pouco sobre o futuro”, prosseguiu Catarina Martins, referindo que António Costa pede confiança para mudar, mas “não é capaz de realmente dizer o que é que vai mudar, para merecer essa confiança”.
“Para haver confiança é preciso dizer ao que se vem. E para prometer que se vai mudar é preciso dizer o que é que se vai mudar. Senão, é um cheque em branco que ninguém se pode dar ao luxo de dar”, defendeu a porta-voz do Bloco, contrapondo alternativas. “Para fazer diferente é preciso recuperar salários e emprego e reformar o sistema fiscal injusto que está a assaltar o país”, resumiu, dando o exemplo da proposta do Bloco para acabar com a isenção de IMI às igrejas, partidos e colégios privados. “Não aceitamos nenhum privilégio que assalta o país e exigimos a reposição dos rendimentos de quem vive do seu trabalho”, defendeu Catarina Martins.
Direitos laborais, Saúde, Ambiente e Agricultura na agenda de campanha em Santarém
O cabeça de lista do Bloco pelo distrito de Santarém começou por saudar os candidatos e a diversidade da lista que apresenta às legislativas, sublinhando também a simpatia que as ações de campanha têm suscitado em todo o distrito. Carlos Matias criticou o abandono a que têm sido votadas 80 mil pessoas no distrito de Santarém, sem direito a um médico de família, com populações inteiras, como a do Sardoal, privadas de médico de família durante o mês de agosto.
A prioridade ao transporte ferroviário, com o alargamento da cobertura do passe social, é outra das propostas da candidatura, bem como o combate à poluição. “Ainda há poucos dias houve um derrame na zona de Vila Velha de Ródão que poluiu o Tejo numa larga extensão de quilómetros, e ninguém ouviu falar nisso na comunicação social”, denunciou Carlos Matias, opondo-se à demora de décadas para se resolverem os pontos negros ambientais no distrito.
“Os agricultores têm sido pouco respeitados neste país”, afirmou o candidato bloquista por Santarém, defendendo que a banca seja obrigada a financiar as pequenas e médias empresas agrícolas. “Se os nossos impostos servem para salvar bancos das garras de corruptos que roubaram dinheiro, então temos o direito de lhes impor a concessão de crédito para financiar a economia”, defendeu Carlos Matias. O compromisso pela defesa dos direitos laborais será uma das bandeiras da candidatura e do mandato de um deputado do Bloco eleito por Santarém, garantiu.
A primeira intervenção do jantar/comício coube a Luís Gomes, vereador bloquista em Salvaterra de Magos, que deu as boas-vindas aos presentes, vindos de todas as partes do distrito de Santarém, saudando em especial a ex-presidente da Câmara, Ana Cristina Ribeiro, também presente, bem como o mandatário distrital Aurélio Gomes. Em seguida, descreveu algumas das atividades da campanha eleitoral do Bloco no distrito, que irá contar com a participação de Marisa Matias, Fernando Rosas, Francisco Louçã e Shahd Wadi.