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Passos assume que receita do governo é empobrecer o país

Primeiro-ministro defende empobrecimento de Portugal “em termos relativos e em termos absolutos até” como única forma de sair da crise. E diz que optou pelo corte dos subsídios de férias e de Natal dos funcionários públicos e pensionistas porque outras medidas não seriam credíveis no exterior.
"Não vale a pena fazer demagogia sobre isto, nós sabemos que só vamos sair desta situação empobrecendo", disse Passos Coelho. Foto de José Sena Goulão/Lusa

Numa conferência promovida pelo Diário Económico, em Lisboa, na terça-feira, o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho afirmou que Portugal só conseguirá sair da actual crise "empobrecendo": "Não vale a pena fazer demagogia sobre isto, nós sabemos que só vamos sair desta situação empobrecendo – em termos relativos, em termos absolutos até, na medida em que o nosso Produto Interno Bruto está a cair", afirmou.

O primeiro-ministro afirmou que as medidas que o governo propõe no Orçamento de 2012 são para “sair da recessão, não é para agravar a recessão", sublinhando que o Governo PSD/CDS-PP está consciente das dificuldades e não tem "prazer rigorosamente nenhum em estar a penalizar seja quem for".

"Mas se alguém souber de uma forma de diminuir a dívida, o défice, enriquecendo e gastando mais, digam, se fazem favor, porque todos nós estaríamos em condições de adotar essas medidas fantásticas", observou, em seguida, acrescentando que desconhece "essa maneira de produzir resultados".

Novos argumentos para a penalização maior aos funcionários públicos

Na mesma conferência, o primeiro-ministro usou novos argumentos para a opção do corte do subsídios de férias e de Natal aplicados aos trabalhadores do sector público e aos pensionistas, em vez de uma medida que atingisse todos por igual. Passos Coelho já argumentara que o funcionalismo público ganha mais em média – o que foi imediatamente contestado e refutado – e que tem mais “privilégios”.

Desta vez, o primeiro-ministro afirmou que uma medida de penalizar todos por igual através de um aumento da carga fiscal "dificilmente esse exercício seria considerado credível no exterior do país"e que iria "penalizar ainda mais o esforço de recuperação económica" e acrescentar dificuldades aos "ajustamentos" que o setor privado já vai ter de fazer.

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