O (mau) Estado da Nação

15 de julho 2010 - 10:46

Debate na Assembleia da República faz diagnóstico de um país em profunda crise, marcado pelo desemprego e previsões sombrias de nova recessão.

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Foto de TIAGO PETINGA / LUSA

A Assembleia da República realiza esta quinta-feira o debate do Estado da Nação, que marca o fim da primeira sessão legislativa da XI Legislatura. Diante da profunda crise que abala o país, com o desemprego a atingir novos recordes a cada mês e as perspectivas sombrias para o crescimento económico dos próximos anos, apontadas por instituições como o Banco de Portugal, o debate promete ser difícil para o governo, como reconheceu o próprio Francisco Assis, líder parlamentar do PS, que disse que “o Governo está a fazer o seu caminho, que é duro, exigente, mas está a ser percorrido”.

Na terça-feira, o Banco de Portugal reviu em alta as projecções para o crescimento económico este ano, de 0,4% para 0,9%, mas previu que a probabilidade da economia portuguesa entrar em recessão em 2011 é superior a 50%.

O PSD, por seu lado, irá tentar fazer esquecer que o actual Orçamento de Estado e principalmente as medidas do PEC, já para não falar da próxima implantação das portagens nas ex-SCUT, contaram com a sua viabilização. Passos Coelho afastou a possibilidade de se entender com o PS num governo de bloco central, ao discursar nas jornadas parlamentares do PSD, mas as principais marcas recentes da governação tiveram a marca de acordos entre PS e PSD.

Para o Bloco de Esquerda, o diagnóstico do país é "um estado de grande desânimo por parte da generalidade da população", diz o líder parlamentar bloquista José Manuel Pureza, que aponta que o diagnóstico que foi apresentado pelo PS nas eleições provou ser falso, desde logo em relação ao valor do défice. Pureza lembra que "uma coisa chamada PEC deixou de ser um documento e passou a ser um processo em curso e em contínuo".

Na noite de quarta em Peniche, Francisco Louçã acusou o governo de José Sócrates de “embandeirar em arco” ao manifestar-se satisfeito com a suposta redução do número de desempregados em Junho. Contudo, disse o coordenador do Bloco de Esquerda, “temos mais de 60 mil desempregados em Junho de 2010 do que tínhamos em Junho de 2009, por isso não sei como se pode concluir que as coisas correm bem”.