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O homem branco naquela fotografia

Às vezes as fotografias enganam. Esta, por exemplo. Representa o gesto de rebeldia de John Carlos e de Tommie Smith no dia em que ganharam medalhas pelos 200 metros nos Jogos Olímpicos de Verão de 1968, na Cidade do México e é certo que me enganou a mim durante muito tempo. Artigo de Riccardo Gazzaniga.

Sempre vi a fotografia como uma imagem poderosa de dois negros descalços, com as cabeças curvadas, de punhos erguidos com luvas negras, enquanto tocava o hino nacional dos Estados Unidos. Era um forte gesto simbólico, tomando posição pelos direitos civis afro-americanos num ano de tragédias que incluíram as mortes de Martin Luther King e de Bobby Kennedy.

É uma foto histórica de dois homens de cor. Por este motivo, nunca prestei realmente atenção ao outro homem, branco como eu, imóvel, no segundo degrau do pódio de metal. Considerava-o como uma presença casual, um extra no momento de Carlos e de Smith, ou mesmo uma espécie de intruso. Com efeito, pensava mesmo que aquele sujeito – que parecia ser apenas um rival inglês – representava na sua gelada imobilidade a vontade de resistir à mudança que Smith e Carlos invocavam no seu protesto silencioso. Mas estava errado.

Graças a um velho artigo de Gianni Mura, hoje descobri a verdade: aquele branco na fotografia é, talvez, o terceiro herói daquela noite de 1968. Chamava-se Peter Norman, era um australiano que tinha chegado às finais dos 200 metros depois de ter corrido uns extraordinários 20.22 nas semi-finais. Só os dois americanos Tommie Smith“O Jacto” e John Carlos tinham feito melhor: 20.14 e 20.12, respectivamente.

Parecia como se a vitória tivesse de ser decidida entre os dois americanos. Norman era um velocista que parecia estar a ter uns bons momentos. John Carlos, anos mais tarde, disse que lhe perguntaram o que tinha acontecido àquele baixote branco de 5’6” de altura e que corria tão rápido quanto ele e Smith, ambos mais altos do que 6’2”.

Chega a hora das finais e o outsider Peter Norman faz a corrida de uma vida, de novo melhorando os seus tempos. Termina a corrida a 20.06, a sua melhor marca de sempre, um recorde australiano que ainda continua de pé, 47 anos depois.

Mas esse recorde não foi suficiente, porque Tommie Smith era verdadeiramente “O Jacto” e respondeu ao recorde australiano de Norman com um recorde mundial. Em suma, foi uma grande corrida.

1968 Olympic 200m Final

Contudo, essa corrida nunca seria tão memorável como aquilo que se seguiu na cerimónia de entrega das medalhas.

Não demorou muito depois da corrida para se compreender que algo de grande, sem precedentes, estava prestes a acontecer no pódio de metal. Smith e Carlos decidiram que queriam mostrar a todo o mundo como era a sua luta pelos direitos humanos e a palavra espalhou-se entre os atletas.

Norman era um branco natural da Austrália, um país que tinha leis de apartheid rigorosas, quase tão rígidas como as da África do Sul. Havia tensão e protestos nas ruas da Austrália na sequência de pesadas restrições a imigração não-branca e a leis discriminatórias contra os aborígenes, algumas das quais consistiam em adopções forçadas de crianças nativas a famílias brancas.

Os dois americanos tinham perguntado a Norman se ele acreditava nos direitos humanos. Norman disse que sim. Perguntaram-lhe se acreditava em Deus e ele, que tinha estado no Exército da Salvação, disse que acreditava firmemente em Deus. “Sabíamos que aquilo que iamos fazer era de longe maior que qualquer feito atlético e ele disse: “Estou com vocês” recorda John Carlos, “Esperava ver receio nos olhos de Norman, mas em vez disso vimos amor.”

Smith e Carlos tinham decidido levantar-se no estádio usando o emblema do Projecto Olímpico para os Direitos Humanos, um movimento de atletas que apoiava a luta pela igualdade.

Iriam receber as suas medalhas, descalços, representando a pobreza vivida pelos negros. Iriam calçar as famosas luvas pretas, símbolo da causa dos Panteras Negras. Mas antes de subirem ao pódio perceberam que só tinham um par de luvas. “Calce cada um uma luva” sugeriu Norman. Smith e Carlos aceitaram o conselho.

Mas então, Norman fez ainda mais. “Acredito naquilo que vocês acreditam. Têm um desses para mim?” perguntou ele apontando para o emblema do Projecto Olímpico para os Direitos Humanos no peito dos outros. “Desse modo, posso mostrar o meu apoio à vossa causa.” Smith admitiu que ficou atónito e que pensou: “Quem é este fulano branco australiano? Ganhou uma medalha de prata, não lhe chega recebê-la e pronto?”

Smith respondeu que não, também porque não queria deixar de usá-lo. Aconteceu que com eles estava um remador americano branco, Paul Hoffman activista do Projecto Olímpico para os Direitos Humanos. Depois de ouvir tudo aquilo, pensou “se um branco australiano me viesse pedir um emblema do Projecto Olímpico para os Direitos Humanos, por Deus, claro que lho daria!” Hoffman não hesitou “Dei-lhe o único que tinha, o meu”.

Os três avançaram pelo campo e subiram ao pódio: o resto é história, preservada pelo poder da fotografia. “Eu não podia ver o que estava a acontecer,” conta Norman, “[mas] tinha sabido que eles tinham levado avante os seus planos quando uma voz na multidão cantou o hino americano, mas depois se calou. O estádio emudeceu”.

Tommie Smith et John Carlos poings gantés.mp4

O chefe da delegação Americana jurou que estes atletas iriam pagar enquanto vivessem por esse gesto, um gesto que ele pensava não tinha nada a ver com o desporto. Smith e Carlos foram imediatamente suspensos da equipa olímpica americana e expulsos da aldeia olímpica, enquanto que o remador Hoffman foi acusado de conspiração.

Uma vez em casa, os dois homens mais rápidos do mundo enfrentaram pesadas consequências e ameaças de morte.

Mas, no fim, o tempo provou que eles tinham tido razão e tornaram-se campeões na luta pelos direitos humanos. Com a sua imagem restabelecida, colaboraram com a equipa americana de atletismo, tendo sido erigida uma estátua deles na San Jose State University. Peter Norman não está nesta estátua. A sua ausência do pódio parece o epitáfio de um herói em quem ninguém nunca reparou. Um atleta esquecido, apagado da história mesmo na Austrália, o seu país.

Quatro anos mais tarde, nas Olimpíadas de Verão de 1972, em Munique, na Alemanha, Norman não fez parte da equipa de velocistas australianos, apesar de se ter qualificado treze vezes para os 200 metros e cinco vezes para os 100 metros.

Norman deixou o atletismo de competição depois deste desapontamento, continuando a correr ao nível amador.

Na sua Austrália branqueada, resistindo à mudança, ele foi tratado como um estranho, a sua família foi proscrita e incapaz de arranjar trabalho. Trabalhou uns tempos como professor de ginástica, continuando a lutar contra as desigualdades como sindicalista e trabalhando ocasionalmente num talho. Devido a um ferimento, Norman contraiu gangrena que levou a problemas de depressão e alcoolismo.

Como John Carlos disse “Se nós fomos espancados, Peter enfrentou um país inteiro e sofreu sozinho.” Durante anos, Norman só teve uma oportunidade de se salvar: foi convidado a condenar o gesto dos seus colegas atletas John Carlos e Tommie Smith em troca de um perdão do sistema que o ostracizou.

Um perdão que lhe teria permitido arranjar um emprego estável no Comité Olímpico Australiano e fazer parte da organização dos Jogos Olímpicos de Sydney 2000. Norman nunca cedeu e nunca condenou a escolha dos dois americanos.

Ele foi o maior velocista australiano da história e o detentor do recorde dos 200 metros, contudo nem sequer foi convidado para as Olimpíadas de Sydney. Foi o Comité Olímpico americano, quando soube da notícia, que lhe pediu que se juntasse ao seu grupo e o convidou para a festa de aniversário do campeão olímpico Michael Johnson para quem, Peter Norman era um exemplo e um herói.

Norman morreu repentinamente de ataque cardíaco em 2006 sem que o seu país alguma vez lhe tivesse pedido desculpa pela maneira como o tratara. No seu funeral, Tommie Smith e John Carlos, amigos de Norman desde aquele momento em 1968, e que o tinham como herói carregaram o seu caixão.

“Peter foi um soldado solitário. Escolheu, conscientemente, ser um cordeiro do sacrifício em nome dos direitos humanos. Não há mais ninguém senão ele que a Austrália devia honrar, reconhecer e apreciar” disse John Carlos.

“Ele pagou o preço com a sua escolha,” explicou Tommie Smith. “ Não foi apenas um simples gesto para nos ajudar, foi a SUA luta. Foi um branco, um homem branco australiano entre dois homens de cor, levantando-se no momento da vitória, todos em nome da mesma coisa.”

Só em 2012 o Parlamento australiano aprovou uma moção pedindo formalmente desculpa a Peter Norman e dedicando-lhe um lugar na história com esta declaração:

Esta Câmara “reconhece os extraordinários êxitos atléticos do falecido Peter Norman que ganhou a medalha de prata na corrida de 200 metros nas Olimpíadas da Cidade do México de 1968 num tempo de 20.06 segundos, que ainda se mantém como recorde australiano.”

“Reconhece a coragem de Peter Norman, ao ostentar no pódio um emblema do Projecto Olímpico para os Direitos Humanos, em solidariedade com os atletas afro-americanos Tommie Smith e John Carlos, que fizeram a saudação do “poder negro”.”

“Pede desculpa a Peter Norman pelo mal feito pela Austrália em não o mandar às Olimpíadas de Munique de 1972, apesar de repetidamente se ter qualificado e tardiamente reconhece o poderoso papel desempenhado por Peter Norman na prossecução da igualdade racial.”

Contudo, as palavras que melhor nos lembram Peter Norman são simplesmente as suas próprias palavras ao descreverem os motivos do seu gesto, no documentário “Salute” escrito, dirigido e produzido pelo seu sobrinho Matt.

“Não podia ver por que razão um negro não podia beber a mesma água de uma fonte, apanhar o mesmo autocarro ou ir à mesma escola que um branco. Havia uma injustiça social contra a qual nada podia fazer a partir de onde estava, mas que detestava. Foi dito que ter partilhado a minha medalha de prata com aquele incidente no estrado da vitória diminuiu o meu desempenho. Pelo contrário. Tenho de confessar que fiquei muito orgulhoso por fazer parte dele.”

Quando mesmo hoje parece que a luta pelos direitos humanos e pela igualdade nunca acaba e que vidas inocentes são sacrificadas, temos de recordar as pessoas que fizeram sacrifícios como Peter Norman e tentar seguir o seu exemplo. A igualdade e a justiça não são lutas de uma única comunidade, mas de todos.

Assim, este Outubro quando estiver em San Jose, vou visitar a estátua do Poder Negro Olímpico no campus de San Jose State University e aquele degrau vazio no pódio recordar-me-á um herói esquecido, mas verdadeiramente corajoso, Peter Norman.


Tradução de Almerinda Bento para esquerda.net

Artigo de Riccardo Gazzaniga publicado no seu blogue.

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Comentários

um dado importante que falta no artigo: a estátua do Poder Negro Olímpico no campus de San Jose State University é da autoria de um grande artista português e defensor dos direitos humanos, radicado há muito nos EUA, o meu querido amigo Rigo, autor de inúmeros projectos em vários locais do mundo, sempre do lado dos oprimidos. O espaço vazio da terceira figura é, precisamente, o espaço que cada um de nós pode ocupar.

História repugnante, porque demonstra a barbaridade que uma dada raça branca impôs a raça negra que encontrou em franco desenvolvimento de acordo com investigações científicas.
“Se a humanidade teve origem na África, foi necessariamente negroide antes de se tornar branca através de mutações e adaptações, no final da última glaciação na Europa, no Paleolítico Superior. E agora compreen¬de-se muito melhor por que os negroides grimaldianos ocuparam a Europa 10 mil anos antes do aparecimento do Homem de Cro-Magnon, protótipo da raça branca (por volta de – 20000). O ponto de vista ideológico também é evidente em estudos aparentemente objetivos.
Na conclusão geral do relatório, afirmava-se: “a despeito das especifica¬ções constantes do texto preparatório distribuído pela Unesco, nem todos os participantes prepararam comunicações comparáveis às dos professores Cheikh Anta Diop e Obenga, meticulosamente elaboradas. […] Assim, escreveu-se no Cairo uma nova página da historiografia africana.”
“Texto extraído de:

“A África Antiga/ coordenador do volume G. Mokhtar; (tradução Carlos Henrique Davidoff… et al.). – São Paulo: Ática (Paris): Unesco; 1983. (História Geral da África, v.2). Acima do título: Comitê Científico Internacional para a Redação de uma História Geral da Áftica (Unesco).
http://unesdoc.unesco.org/images/0011/001103/110340poro.pdf”´
Arnoldo W. Doberstein O Egipto antigo
http://www.pucrs.br/edipucrs/oegitoantigo.pdf
O Egito. Para compreender e necessário ver o Vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=7L3L6j9XIC0
Os Egípcios eram NEGROS, EGITO = KEMET
https://www.youtube.com/watch?v=7L3L6j9XIC0

Pese embora a grande benevolência dos negros continuou ao longo de séculos a manter esta barbaridade a vários níveis ao ponto de criarem entre os povos a quem impuseram a barbaridade intrincados conflitos onde a falta de ética e a moral, imperam e os “culpados” fazendo-se por vezes de vítimas! Estes três exemplos de verdadeiros seres humanos recordam-me o momento por qual passei como imigrante em Portugal onde fui condenada por defender Direitos humanos os meus e de outros com quem partilhei o mesmo local de trabalho, e por ter ido a Angola meu País Natal em Missão Humanitária quando Angola sangrava pela prepotência da guerra. Naquela altura vi recair sobre os meus ombros o peso de se ser negra, por ter tido a “ousadia” em enfrentar ao longo de quase 19 anos a indiferença do racismo, de o denunciar as autoridades que dizem defender minorias em Portugal e que por sua vez recorreram a instâncias internacionais (Comité dos Direitos Humanos das Nações Unidas) que parece ter servido apenas para “fingir que se preocupavam com os Direitos Humanos”, talvez sim mas os de brancos e não os dos negros. Foi a conclusão que tirei quando até alguns políticos fecharam os olhos e os ouvidos, e calados assim ficaram, Ministro receberam cartas de apelo dos Representantes da ONGD Portuguesa que eu representava e não se dignaram a responder. O sofrimento que me foi imposto com as várias formas de discriminação (visível, invisível e subtil) onde até de “macumbeira” fui chamada por Doutores(as), serviu ao que parece para as estatísticas porque as consequências da discriminação do racismo da falta dos Direitos humanos, estas fizeram-se sentir na perda do emprego, nos processos corrompidos, nas perseguições e ameaças, onde os advogados que se atreveram em defender-me não foram poupados, uns venderam-se do lado dos violentadores outros fizeram o que lhes foi possível, outros abandonaram porque foram obrigados e outros me pediam que desistisse do processo, outros até pareceram terem descoberto as “minas de Salomão” e mesmo depois de terem recebido avultadas somas sem nada fazerem para me defenderem antes pelo contrário acabaram por confessar que eram meus advogados e também dos acusadores, tudo a boa maneira da justiça que todos sabemos ser no Portugal que já foi maioritariamente Mouro antes da eugenia de Galton!
Depois de todo o silêncio e abandono vêm de novo as Entidades de minorias e Conselho de Ministros pedirem-me que deixasse de pagar advogados e que pedisse apoio estatal e que levantasse um processo a Entidade onde trabalhei e que solicitasse uma indeminização por danos morais, que continuo a aguardar pois acredito na Justiça na maior Divina porque “a justiça” até teve o cuidado de dizer em tribunal “Cada macaco no seu galho” subentendendo-se por “macacos negros em África e macacos brancos na Europa”, como se não tivera sido o Negro que outrora desbravou o mundo hoje dividido e apropriado por alguns! Devo dar honras ao John Iliffe que teve a hombridade em reconhecer África e seus povos como “Os pioneiros da Humanidade” Os Africanos foram e continuam a ser os sertanejos que “colonizaram” uma região do mundo particularmente hostil, a bem de toda “raça” humana. Citando John Iliffe, in “Os Africanos” História de um continente”.
Continuo a espera da Justiça Divina a Maior, porque só quem vive e passa por situações idênticas a que estes três homens (dois negros e um branco) passaram se pode entender o quão subdesenvolvidos alguns seres ainda se encontram, continuando tais actos a ocorrerem ao longo de séculos e de uma forma geral contra os povos negros, o que é gravíssimo uma vez que a Europa e o Ocidente conseguiram um “desenvolvimento científico” considerável, deviam também pelo menos fazer um esforço no sentido de corrigir atitudes menos humanas fruto das sociedades que se formaram na Europa durante a Idade Moderna saídas de processos complexos de organização social baseada na geopolítica do conhecimento que subalterniza saberes, povos e culturas, memórias, línguas e histórias locais, sonegando e silenciando as histórias locais pela colonialidade do poder no imaginário moderno-colonial citando: Mignolo. 2003. A construção das sociedades modernas europeias apoiadas através de elaborações científicas baseadas na racionalidade científica europeia que se impôs como única e verdadeira, sendo que muitos dos seus cientistas ignorantes da existência da civilização africana e cheios de preconceitos ajudaram a firmar uma ideia errada sobre o Negro passando a ser informada aos povos europeus a inferioridade dos negros e criando ódios através de actos anti-humanos. Alguns destes cientistas-filósofos iluministas venerados como pais da ciência europeia entre eles: David Hume e Immanuel Kant, Montesquieu, Hegel que afirmaram a inferioridade congênita do Negro, para mais esclarecimento bastará fazer-se uma leitura ao livro: “Tratado sobre os caracteres nacionais” em que Hume diz que “a raça negra é inferior a raça branca”, estes srs. são na verdade os precursores do racismo e xenofobia que condimentada pela inquisição devastaram povos ao longo da existência da história da humanidade e continuam a fazer vítimas nas mais diversas formas. Porém Portugal e os Portugueses deviam ter a obrigação de conhecerem a História da sua identidade-Histórica e cultural que tem raízes negras e quem tem interesse por saber quem é saberá que o Mediterrâneo todo foi povoado por Reis Mouros ou Negros e estes eram os Mani de Angola e da Guiné. O branqueamento de peles em Portugal foi feito ao longo dos 64 anos em que os arrivistas do norte vieram destruir as suas estruturas tradicionais!
Tudo é possível quando um Povo perde a sua identidade Histórica e Cultural após sofrer uma descaracterização intencional dos colonizadores- impostores! A Inquisição, as guerrilhas de cruzada, a Eugenia imposta aos Povos do Mediterrâneo para branquear a História tradicional e posterior submissão dos mesmos parece ter surtido efeito. Este é uma das grandes enfermidades que tem ao longo dos séculos limitado o desenvolvimento de Portugal e dos países com proximidade regional!
E as palavras de ordem impostas aos povos após ao novo batismo e aos novos nomes foi:
”atacar, conquistar e submeter Sarracenos, pagãos(Mouros ou Negros) e outros descrentes inimigos de Cristo; a capturar os seus bens e territórios; a reduzi-los à escravatura perpétua e transferir as suas terras e territórios para o Rei de Portugal e para os seus sucessores”. Acabou a monarquia impôs as Repúblicas fascistas e xenófobas esclavagistas e continua os “descendentes” impondo as mesmas regras Republicanas não diferentes dos sistemas anteriores.

Daí a necessidade de mudanças urgentes na forma de se fazer política para que os Valores aniquilados por estranhos sejam restituídos reeducando aos Povos sobre a Ética, a Moral e o Respeito ao próximo, que foram as bases aniquiladas com as “conquistas” do território Português pelos arrivistas! E assim tem reinado “o medo” da mudança e a manutenção do tutorado português!
(José Gil: “Portugal o Medo de Existir”) “O Medo de existir”” que parece ETERNO!
E é disto que não se fala nem se aprende nas escolinhas, universidades, muito menos os políticos que assumiram o regime imposto de divisão e exclusão de Povos, estão interessados na mudança porque é mais fácil desgovernar um Povo ignorante da sua identidade!
Tendo sido Portugal um dos primeiros Países em que o Estado de Roma Vaticano impôs as práticas das suas Leis ditatoriais, como a escravatura, a inquisição, o branqueamento de peles (eugenia) para descaracterizar o fenótipo do Povos originais com o objectivo de melhor reinar subjugando-os, limitando-os até de pensar por si, não é admissível nem se pode compreender que em pleno século XXI os políticos e governantes continuem a compactuar com o jogo esclavagista, mantendo o jugo no pescoço dos povos, desconhecendo estes o seu passado sonegado!
Os Povos que surgiram desta herança política a única coisa de que se lembram é a da “perseguição aos Mouros ou Negros infiéis”, pois ser Negro ou Mouro era um crime para o Estado bárbaro que se impunha através da colonização feroz anti-humana, ajudados por grupos de homens apátridas do Norte que procuravam o Poder e a fartura económica, através do cativeiro e despojo dos bens dos povos originais! Pena mesmo que aos Povos saídos da eugenia não se permitam uma só única vez tentar lembrar das suas origens e defenderem com alguma dignidade a Soberania ultrajada pelos bárbaros herodianos!
E assim ao longo quer da monarquia guerreira imposta e quer das repúblicas feudais, esclavagista-fascista, os Povos de Portugal viveram sempre tutorados por estranhos que mantiveram na ignorância a sua verdadeira ascendência, não por questões de inferioridade, mas na verdade por causa do Poder económico dos seus antepassados, vindos de terras que “brotavam o mel”!
O branqueamento de peles e a criação da barreira de uma “África-branca” nunca existente foi um dos caminhos encontrados para melhor dividir a África dos territórios circundantes onde todos os povos partilhavam em comum e familiarmente uma vez que pertenciam todos ao mesmo Regime matrilinear desde África a sul do Sahara – Egipto ─ Grécia─ Mputu nkala(Portugal) e todo o Mediterrâneo. E que apesar de terem expulso e morto muitos dos povos que habitavam o território outros foram mantidos cativos para continuarem a procriar para a manutenção da mão de obra enquanto se ia procedendo o branqueamento de peles.
Citando (Tinhorão, José:104–106) “E, de facto, a Provisão de 1773, invocando ainda uma vez o Alvará de 1761, dizia haver informação de que «em todo o Reino no Algarve e em algumas províncias de Portugal existem ainda pessoas[…] que guardam em suas casas escravas, humas mais brancas do qelles com nomes de Pretas e de Negras, ou Mestiças; e outras verdadeiramente negra para pela repreensível prática perpetuarem os Captiveiros». Ao que o historiador, aprofundando a ironia implícita no texto legal do século XVIII, concluía com a observação, ainda com muito cabimento, em plenos meados do século XX: «A pigmentação ainda hoje seria uma denúncia. Mas que importância se lhe pode dar?»”
“Que importância se lhe pode dar”, Diz o historiador em meados do século XX sobre um mal imposto e outorgado pelos “impostores” no trono de Pedro!
Citando (Tinhorão, José ; 16-31) “Assim, o se convencionou chamar Reconquista, a partir do século XII, constituiu, na realidade, o movimento de nobres guerreiros estrangeiros (alguns inclusive ex-soldados das Cruzadas), os quais, partindo de reinos estabelecidos ao norte da Península, vinham impor pela espada, sob a bandeira ideológica do cristianismo, uma nova ordem de poder feudal a comunidades históricamente estabelecidas ao sul sob várias dominações anteriores.
Enfim, Portugal está numa fase especial, numa nova oportunidade para que seja possível reconhecer as falhas políticas cometidas ao longo dos séculos e que vitimaram povos inocentes dentro do país e fora dele em Africa, existe uma grande dívida para com a Africa e cabe aos governos corrigirem através de Leis e da gestão a vários níveis nomeadamente a forma como tem tratado os africanos ao longo destes dois últimos séculos. Se houve a capacidade de ensinar a cometer erros impondo aos povos conceitos fatais, é altura de os retirar de circulação através da educação e de leis que punam actos que lesem Direitos sociais e políticos- económicos - Os Direitos Humanos. Porque só assim Portugal terá efectivamente o caminho livre para o seu desenvolvimento há muito esperado, talvez mesmo desde que Marquês de Pombal deixou de ser Ministro (também ele descendente africano dum dos Reinos Mouros ou Negros de Portugal)! Acima de tudo o mundo(europeu e ocidental) não deve esquecer-se de que quem continua alimentando as suas economias é a Africa de acordo com informações saídas de investigações sobre os vários aspectos sociais e económicos. Sendo importante que se altere a forma os seus povos como são tratados. Afinal como diz o ditado: Amor, com amor se paga e o respeito fica bem em qualquer casa!
“África, financiadora do planeta”
22.10.2014 às 7h00
“Apesar da pobreza, apesar dos fluxos de ajuda internacional e apesar das previsões da teoria económica, o continente africano é, em termos líquidos, financiador e credor do resto do mundo.
Por: Alexandre Abreu
http://expresso.sapo.pt/blogues/bloguet_economia/blogue_econ_alexandre_a...

Com saudações solidárias, Kiesse/Olo(angolana)

Justo seu depoimento, mas o conteúdo da reportagem não diz da importância ou não de raças; é um relato fatídico de quando fora feita a foto conhecidíssima, em que muito se especulou sobre os três homens e seus gestos e nunca se estudou sobre os fatos por trás da imagem;

O único problema desta tradução é que todos os feitos desportivos aconteceram durante os Jogos Olímpicos e não durante as Olimpíadas que são o tempo que vai desde o dia de encerramento dos JO até ao dia de abertura dos JO seguintes.

Aqui no Brasil, o termo 'Olimpíadas' é usado tanto para o intervalo entre os jogos olímpicos como para os jogos olímpicos em si. Com a força do uso, olimpíadas passou a ser, também, sinônimo de jogos olímpicos.

Em Portugal e, provavelmente por tudo o mundo, o mesmo acontece: o termo 'Olimpíadas' é usado (e abusado) tanto para o intervalo entre os Jogos Olímpicos como para os Jogos Olímpicos em si... mas é um erro crasso (cuja banalização não devemos defender) e mostra incapacidade de distinguir dois conceitos que, no contexto do movimento olímpico são absolutamente distintos: cada edição dos J.O. constitui o culminar e o fechar dos 4 anos de determinada olimpíada (e não apenas "o intervalo" entre duas edições dos Jogos). A confusão dos dois conceitos tem-se devido, fundamentalmente, à ignorância de muitos comentadores desportivos, a qual contribui para a propagação da asneira.

História comovente e exemplar. Merece uma campanha para que o monumento erguido nos EUA contemple o terceiro - e mais improvável - herói dessa história.

Obrigada pelas palavras, tão sensíveis. Fiquei emocionada com a luta incansável do australiano. Já conhecia a história dos dois atletas estadunidenses, mas, de fato, o ato heroico foi dos três, com consequências terríveis para um deles.

não entendí direito a historia, dos guantes e do emblema, muito confuso tudo.
O relato cansativo não tem foco e finalmente não se chega a entender os fatos.

Muito bom saber de todos os fatos, emocionante e triste saber que por fazer o certo, Normam foi condenado por seu país.

Maravilhosa e comovente história. Quando se luta pelo oprimido, os opressores não aguentam! É difícil.
Só um adendo na tradução dom texto: não é certo escrever PESSOAS DE COR ..o certo é NEGROS.
Valeu!

PARABÉNS Almerinda Bento, por este seu trabalho na tradução da História destes 3 Heróis da Humanidade, tornando assim possível que estes 3 Heróis chegassem ao conhecimento de todos os povos da língua Portuguesa !!

Há momentos que ficarão para sempre na história do desporto, não só pelo feito desportivo alcançado, mas também pela coragem que alguns atletas tiveram em lembrar ao mundo, problemas de uma sociedade, que ainda hoje, continua a ser tão desigual e tão discriminatória!
Se há momentos marcantes na história das olimpíadas, este é de facto o mais marcante e o que mais me apaixonou até hoje na história do desporto! Eu sabia que este episódio teve dois heróis, mas nunca imaginei que tivesse um terceiro!
Há momentos na vida, em que julgamos mal, por não sabermos a história que está por dentro da verdadeira história! Isso leva-nos a tirar conclusões precipitadas e a cometermos tremendas injustiças. Neste caso em particular, só passados muitos anos (depois de conhecer a verdadeira história) é que o mundo fica a conhecer um outro herói, que de uma forma mais discreta, desempenhou um papel igualmente corajoso, e não hesitou em o fazê-lo, mesmo sabendo que isso lhe poderia trazer consequências negativas à sua vida (como foi o caso).

Hoje em dia, o mundo do desporto está tão mediatizado que carece de verdadeiros desportistas como estes, o que é uma pena...

Hoje em dia o mundo do desporto está altamente contaminado pela Merdicina Esportiva , que com suas experiências tenta fazer com que atletas deixem o lado humano e se tornem máquinas nazistas fazedoras de recordes que não levam a absolutamente nada

É bom saber que houve um branco que teve uma participação importante nesse evento histórico.
Mas é preciso cuidado também para não transformar num feito de um herói branco salvando um dia, ofuscando uma luta tão importante para a história dos negros e da humanidade.

Matéria impressionante e emocionante comprovada com a veracidade dos fatos e com fotos. Inclusive com os dois americanos carregando o caixão de Peter Norman. Um exemplo de vida desses três homens de fibra. Parabéns pela reportagem.

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