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Morreu Nelson Mandela

Nelson Mandela, primeiro presidente negro da África do Sul, o homem que liderou a luta para pôr fim ao regime racista do apartheid, morreu esta quinta-feira em Johannesburgo aos 95 anos de idade. "A nação perdeu o seu maior filho", disse o presidente Jacob Zuma, ao anunciar o falecimento. Mandela terá um funeral de Estado.
Nelson Mandela: Pai da moderna nação sul-africana. Foto de South Africa The Good News, wikimedia commons

Nelson Rolihlahla Mandela era o mais importante líder da África negra, Prémio Nobel da Paz de 1993, considerado o Pai da moderna nação sul-africana e "um dos maiores líderes morais e políticos do nosso tempo", segundo Ali Abdessalam Treki, Presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas em 2010.

Da militância estudantil à luta armada

Como jovem estudante do primeiro ano do curso de Direito na Universidade de Fort Hare, Mandela começou a atividade política no movimento estudantil, num boicote contra as políticas universitárias e foi expulso da universidade.

A partir de então envolveu-se na oposição ao regime do apartheid, entrando no Congresso Nacional Africano em 1942, e fundando, dois anos depois, com Walter Sisulu e Oliver Tambou (um de seus melhores amigos), entre outros, a Liga Jovem do CNA.

Comprometido de início apenas com atos não-violentos, Mandela e seus colegas decidiram recorrer às armas após o massacre de Sharpeville, em março de 1960, quando a polícia sul-africana disparou sobre manifestantes negros, matando 69 pessoas e ferindo 180. Em 1961 fundou a ala armada do CNA - Umkhonto we Sizwe (a Lança da Nação) para combater a discriminação do apartheid.

27 anos na cadeia

Foi condenado à prisão perpétua em 1964, pela sua luta contra o regime segregacionista do Apartheid, que vigorava na África do Sul.

No julgamento declarou-se inocente das acusações lhe faziam, mas culpado por lutar pelos direitos humanos, por liberdade, por atacar leis injustas e na defesa de seu povo; admitiu ter feito sabotagens - algo que poderia ter omitido - desafiando o governo a enforcá-lo. Falou por quatro horas, concluindo: "Durante a minha vida, dediquei-me a essa luta do povo africano. Lutei contra a dominação branca, lutei contra a dominação negra. Acalentei o ideal de uma sociedade livre e democrática na qual as pessoas vivam juntas em harmonia e com oportunidades iguais. É um ideal para o qual espero viver e realizar. Mas, se for preciso, é um ideal pelo qual estou disposto a morrer". Passou 27 anos na prisão.

Em 1985, não aceitou a liberdade condicional que lhe foi oferecida em troca de não incentivar a luta armada contra o governo. Só seria libertado em 11 de fevereiro de 1990 pelo presidente Frederik Willem de Klerk, que também revogou a proibição do Congresso Nacional Africano (CNA) e de outros movimentos de libertação. Mandela tinha já 71 anos.

Fim do apartheid

Começava assim a transição para a democracia e o fim do apartheid, que culminou com a vitória esmagadora do CNA nas primeiras eleições multirraciais do país, em 1994, com 62% dos votos e 20% do Partido Nacional do ex-presidente Frederik De Klerk. De acordo com a Constituição de transição negociada, Mandela assumiu como presidente, e Thabo Mbeki, do CNA, e De Klerk, do PN, como vice-presidentes, formando um governo de unidade nacional.

Uma nova Constituição seria aprovada em 1995, ano em que foi também formada a Comissão de Verdade e Reconciliação, para investigar os crimes do apartheid.

Reforma

Em 1999, Mbeki foi eleito seu sucessor. Um ano antes, aos 80 anos, Mandela casou-se pela terceira vez com Graça Machel, viúva do ex-presidente moçambicano Samora Machel. O presidente sul-africano tinha-se divorciado de Winnie Mandela em 1996.

Quando deixou a presidência, Mandela declarou que iria partir para uma tranquila reforma, mas continuou a ter um papel internacional de relevo, só se retirando da vida pública efetivamente quando completou 85 anos.

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