Memórias: Walter Benjamin morreu há 74 anos

28 de setembro 2014 - 15:45

No dia 27 de setembro de 1940, morreu Walter Benedix Schönflies Benjamin: um dos mais importantes pensadores modernos - aquele que filosofava contra a filosofia. Benjamim foi testemunha viva duma época em pleno caos. Por António José André.

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Seriam necessários vários anos após a sua morte para que fosse reconhecido o génio e a modernidade da obra deste homem de múltiplos talentos

Benjamin era originário duma família judaica alemã. Na adolescência, participou no Movimento da Juventude Livre Alemã, de tendência socialista. Nessa época nota-se a influência de Nietzsche nas suas leituras.

Em 1915, tornou-se amigo de Gershom Scholem, especialista mundial da mística judaica e da cabala. Após estudar filosofia na Universidade Freiburg im Breisgau, doutorou-se na Universidade Bern, em 1919, com uma tese sobre o romantismo alemão.

Benjamim foi grande viajante, colecionador de brinquedos, amante do jogo e apreciador de haxixe. Admirador de Kafka e de Klee, percorreu a Europa entre as duas guerras mundiais sem parar de escrever.

No final da década 1920, interessou-se pelo marxismo e juntamente com Theodor Adorno aproxima-se da filosofia de Georg Lukács. Nos anos seguintes publica resenhas e traduções, entre elas sobre Charles Baudelaire.

Benjamim foi grande viajante, colecionador de brinquedos, amante do jogo e apreciador de haxixe. Admirador de Kafka e de Klee, percorreu a Europa entre as duas guerras mundiais sem parar de escrever.

Apesar das suas diversas amizades - Bertold Brecht, Ernst Bloch ou Hannah Arendt - Benjamin mal conheceu a felicidade. Exilado e pobre, drogado e mal-amado, tentou suicidar-se várias vezes.

Com a ascensão do nazismo e abalado por dificuldades materiais, Benjamin exilou-se em Paris, em 1935. Com a invasão da França pelos alemães, em 1940, juntou-se a um grupo de refugiados que tentou fugir pelos Pirenéus.

Foi preso pelos guardas espanhóis da fronteira. Aquele que a sua mãe chamava de “senhor Desastrado”, não teve forças para suportar mais esta prova. Rejeitando ser entregue à Gestapo, Benjamin suicidou-se com uma overdose de morfina.

A vida de Benjamin constituiu uma série de mal-entendidos. Seriam necessários vários anos após a sua morte para que fosse reconhecido o génio e a modernidade da obra deste homem de múltiplos talentos1.