Em resposta às críticas que tem recebido por não ter apelado ao voto em Emmanuel Macron logo na noite da primeira volta, o candidato da França Insubmissa respondeu com um vídeo no Youtube. "Aqui não sou interrompido a cada dois segundos e posso explicar as minhas ideias em mais de 140 caracteres", disse Mélenchon nesta mensagem em que fala da campanha e das críticas que tem recebido, anunciando que irá cumprir o seu dever de eleitor na segunda volta.
“Há alguma dúvida? Dúvida de quê? Do que eu penso sobre a Frente Nacional?”, questiona Jean-Luc Mélenchon. “Mas haverá alguma pessoa que duvide de que não votarei na Frente Nacional? Toda a gente sabe”, prosseguiu o candidato que acabou em quarto lugar na primeira volta das presidenciais francesas, a cerca de 600 mil votos da segunda volta.
“E entre os 7 milhões de pessoas que votaram em mim, tenho a certeza de que apenas uma parte muito residual irá votar na Frente Nacional”, declarou o candidato, que procurou explicar aos seus eleitores a razão de não apelar ao voto em Macron. “Se o fizesse iria dividir-vos e para que é que isso serviria? Vocês não precisam de mim para saber o que têm de fazer”, prosseguiu Mélenchon, sublinhando que “eu não sou um guru nem um guia, sou um responsável político que procura iluminar o caminho e levar a palavra dos outros”.
“Porque é que eu não digo [em quem voto]? Para que vocês possam continuar unidos. Para que cada um de vocês, qualquer que seja a decisão que tome, possa permanecer coerente com o voto que fez e possa continuar orgulhoso do seu voto”, acrescentou Mélenchon neste vídeo aos apoiantes.
“O que nos estão a pedir não é um voto contra a extrema-direita, mas um voto de adesão” a Macron, prosseguiu. “Não, nós não aderimos ao seu projeto. Isso não me impedirá de fazer o que considero ser o meu dever, Sou uma pessoa livre”.
Mélenchon falou ainda do clima de tensão que se vive em França nesta campanha para a segunda volta, afirmando que ela não trará “uma situação estável ao país”. “A própria natureza dos dois protagonistas da segunda volta impede essa estabilidade. Um porque é a extrema-finança, outro porque é a extrema-direita”, apontou.