Um conjunto de individualidades ligadas à área da educação, entre as quais alguns dos principais dirigentes sindicais dos professores, vários presidentes de associações académicas, alguns dos principais investigadores na área da educação, vários professores destacados e representantes e activistas de movimentos pedagógicos subscrevem um manifesto onde se insurgem contra “o esvaziamento do papel do Estado na educação, o desmantelamento de políticas de combate às desigualdades escolares e contra uma reestruturação curricular cujo sentido seja a recuperação de uma escola conservadora contra a complexidade e a abertura que a sociedade de hoje exige”.
Neste documento, em que se reflecte sobre “A educação, o país, o futuro”, e se apontam caminhos para responder às perspectivas “desoladoras” com que se “confronta hoje o campo educativo”, é feita uma dura crítica ao desinvestimento na área da educação que se traduzirá, inevitavelmente, na “degradação das condições de aprendizagem”.
“A situação das finanças públicas não pode”, segundo é defendido no manifesto, “servir de argumento para deteriorar a vida nas escolas, precarizar as relações de trabalho e hipotecar o futuro da educação”.
Os subscritores defendem que “asituação das finanças públicas reclama um conhecimento e avaliação exigentes de todos os compromissos públicos, identificando despesa desnecessária, supérflua e geradora de injustiças sociais e distinguindo-a da que é indispensável, que colmata problemas sociais graves e qualifica o país”.
A “dualização do sistema educativo” e “a estratificação das vias escolares” também merecem a crítica dos subscritores do manifesto “A educação, o país, o futuro”, na medida em que abandonam “o mandato democrático que estabelece que a escola deve garantir a igualdade, em lugar de promover a desigualdade como programa de política educativa”.