Leiloeira recusa-se a vender quadros de Miró

04 de fevereiro 2014 - 18:20

A leiloeira Christie's emitiu um comunicado a cancelar o leilão das obras de arte de Joan Miró, que o tribunal considerou terem saído de Portugal de forma "manifestamente ilegal".

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A leiloeira Christie's diz que não pode vender "de forma segura" os quadros que o Estado português mandou seguir para Londres ilegalmente.

As 85 obras de arte de Joan Miró deveriam ser licitadas esta terça e quarta-feira, mas a leitura da decisão do Tribunal Administrativo de Lisboa, que indeferiu a providência cautelar para evitar a venda dos quadros que pertenciam ao BPN, fez a leiloeira londrina recuar por causa das "incertezas jurídicas".

Para a Christie's, essas incertezas "significam que não podemos oferecer as obras para venda de forma segura". "Nós temos a responsabilidade, perante os nossos compradores", de garantir "que a propriedade pode ser transferida sem problemas" de qualquer ordem, acrescenta o comunicado da leiloeira, citado pela agência Lusa.

A juíza do Tribunal Administrativo de Lisboa considerou que o despacho do Secretário de Estado da Cultura que permitiu a saída da coleção do país é "manifestamente ilegal", mas chumbou a providência cautelar por se dirigir a entidades sem competência para tomar a decisão, que é da empresa de capitais públicos Parvalorem. Na sequência desta decisão, a coordenadora do Bloco de Esquerda pediu a demissão de Jorge Barreto Xavier.