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Krugman em Atenas defende o fim da austeridade na Europa

Economista norte-americano instou o governo de Alexis Tsipras a não ceder às pressões e manter as suas “linhas vermelhas”, rejeitando a redução de salários e pensões. Numa conferência pronunciada sexta-feira, disse que o “vírus da deflação” está a levar a Europa pelo caminho do Japão, sem coesão social.
Tsipras recebeu Krugman no seu gabinete. Foto do twitter de Alexis Tsipras

O Prémio Nobel da Economia Paul Krugman voltou a defender este sábado em Atenas o fim da política de austeridade na Europa e apoiou a posição de Alexis Tsipras, instando-o a que não ceda às pressões e mantenha as suas “linhas vermelhas” nas negociações com os credores.

Num comunicado divulgado quinta-feira, o primeiro-ministro esclareceu que mantém desacordos com as instituições europeias e o FMI em torno a quatro questões fundamentais: política laboral, aumento do IVA, estratégia para a propriedade pública e o sistema de segurança social.

Krugman defendeu que o governo de Atenas não pode ceder às pressões para a redução de salários ou pensões, como querem o BCE, o FMI ou a Comissão Europeia. 

Krugman defendeu que o governo de Atenas não pode ceder às pressões para a redução de salários ou pensões, como querem o BCE, o FMI ou a Comissão Europeia. No entender do economista norte-americano, o país sofreu um forte ajuste fiscal nos últimos cinco anos e realizou grandes sacrifícios.

“A estrita política de austeridade tem de acabar”, defendeu, numa conferência de imprensa.

Krugman reuniu com o primeiro-ministro e com o presidente da República, Prokopis Pavlópulos.

Na sexta-feira, participou de uma conferência na capital grega em que alertou que uma saída da Grécia do euro seria um inferno, e uma mudança de moeda produziria também graves consequências para a economia do país.

Este sábado reúne-se o chamado Grupo de Bruxelas, para avaliar o progresso das negociações tendo em vista um princípio de acordo que poderia ser discutido no dia 24 de abril, em Riga, na reunião do Eurogrupo.

Europa: e agora?”

Na conferência de sexta-feira, intitulada: “Europa: e agora?”, Paul Krugman insistiu na necessidade de pôr fim à austeridade e alfinetou o ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, dizendo esperar que ele “não fale em nome do governo alemão”.

“A Europa parece o Japão, mas sem coesão social”, apontou Krugman, afirmando que toda a situação piorou devido aos diagnósticos errados.

O Prémio Nobel da Economia de 2008 defendeu reformas, tanto na Grécia quanto no sistema europeu, advertindo que a União Europeia tem a necessidade de corrigir muita coisa errada, referindo-se mesmo à inflação muito baixa como um “desastre”, e advertindo para o “vírus da deflação”, que corre o risco de levar a Europa pelo caminho seguido pelo Japão. “A Europa parece o Japão, mas sem coesão social”, apontou, afirmando que toda a situação piorou devido aos diagnósticos errados.

“Precisamos compreender o que correu mal nos últimos seis anos”, defendeu, admitindo que apesar de muitos considerarem que o euro foi um erro, agora não pode ser desfeito.

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