Juncker quer criar exército europeu

08 de março 2015 - 23:49

“Não criaríamos um exército para o utilizar no imediato. Mas um exército comum a todos os europeus faria compreender à Rússia que falamos a sério quando se trata de defender os valores da União Europeia (UE)”, afirmou o presidente da Comissão Europeia em entrevista ao diário alemão Die Welt.

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Foto de Zinneke, creative commons

“Com o seu próprio exército, a Europa poderia reagir com mais credibilidade a ameaças contra a paz de um Estado membro, ou Estado vizinho”, avançou Jean-Claude Juncker, referindo-se concretamente ao conflito na Ucrânia.

O antigo primeiro-ministro do Luxemburgo esclareceu ainda que o exército não seria utilizado de imediato, “mas enviaria uma mensagem clara à Rússia que levamos a sério a defesa dos valores Europeus”.

“Um exército comum da UE mostraria ao mundo que nunca mais haverá uma guerra entre países [da União]. Um exército assim também nos ajudaria a formar políticas de segurança comuns e permitiria que a Europa aceitasse responsabilidades para com o mundo”, acrescentou Juncker.

Frisando que “a imagem da Europa tem sido afetada de forma dramática, também em termos de política externa”, e que “não aparenta que somos levados a sério”, o presidente da Comissão Europeia garantiu que não é sua intenção reduzir o papel da NATO.

A ideia da criação de um exército europeu é bem acolhida pela Alemanha.

Em entrevista à radio Deutschlandfunk, a ministra da Defesa alemã, Ursula von der Leyen, defendeu que “o nosso futuro, enquanto europeus, passará um dia por um exército europeu”.

Segundo avança a agência alemã DPA, em fevereiro, Ursula von der Leyen já tinha referido estar certa de que os seus netos conhecerão os “Estados Unidos da Europa”, com o seu próprio exército.

Já Londres não partilha da mesma opinião.

Um porta-voz do governo de David Cameron, citado pelo The Guardian, deixou claro que “a defesa é uma responsabilidade nacional e não é expectável que esta posição mude nem que haja um exército europeu”.

Um debate que não é novo

A criação de um exército europeu foi proposta em 2012 pelos ministros dos Negócios Estrangeiros de 11 países europeus - Alemanha, Áustria, Bélgica, Dinamarca, França, Itália, Polónia, Luxemburgo, Holanda, Portugal e Espanha.

Traçando a sua visão do “futuro da Europa”, este bloco reivindicou um só chefe de Estado eleito para a Europa, bem como uma nova política de defesa, sob o controlo de um ministério pan-exterior da UE, que “a longo prazo poderia implicar um exército europeu“.

Por forma a “prevenir que um único Estado membro" tivesse oportunidade de "obstruir iniciativas”, mais concretamente que o governo britânico obstaculizasse a criação de um exército europeu, o grupo liderado pela Alemanha exigiu ainda o fim dos vetos nacionais em matéria de política exterior e de defesa.