"Isto vai mesmo rebentar", diz o bispo emérito de Setúbal

14 de outubro 2011 - 12:44

Depois de ouvir o anúncio das medidas do Orçamento para 2012, Manuel Martins diz que os cortes vão provocar "uma desgraça muito grande" em Portugal. Na mesma linha, o bispo das Forças Armadas diz que o país "está a caminhar para o Apocalipse Now".

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Manuel Martins defende que o governo deveria "protelar a dívida, os juros" porque "isto vai mesmo rebentar". Foto Paulete Matos

"Tudo isto é tão apertado, que a própria terapêutica vai matar o doente", declarou Januário Torgal Ferreira ao Diário de Notícias, reagindo ao anúncio de Passos Coelho na quinta-feira à noite de acabar com os subsídios de Natal e férias dos portugueses que recebem mais de 1000 euros nos próximos anos. "Sem qualquer exagero, com estes estímulos, estamos a caminhar para o 'Apocalipse Now'", remata o bispo das Forças Armadas.



Também o bispo emérito de Setúbal, que nos anos 80 se destacou pela forma como defendeu as vítimas do desemprego e da fome naquela região, diz agora que com as medidas anunciadas pelo Governo, os que passarão fome "não vão ter conta". Manuel Martins defende que o governo deveria "protelar a dívida, os juros" porque "isto vai mesmo rebentar".



"Há medidas que nos tocam nas telhas da casa, no automóvel ou nas férias, mas estas entram-nos na casa e na cozinha. Entram-nos no estômago, na saúde", disse Manuel Martins à agência Lusa, confessando-se "imensamente triste, desanimado, derrotado" por prever as consequências da receita da austeridade ao fim de 84 anos de vida a lutar contra a fome.



"Não sei se o povo terá forças para ir para a rua, mas muitas coisas graves poderão acontecer", disse ainda Manuel Martins, que considera que "as manifestações são o mínimo que pode acontecer".

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