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Israel tentou criar grupos no Partido Trabalhista para desestabilizar liderança de Jeremy Corbyn

Diplomata israelita gravado a revelar plano para criação de organizações e grupos de jovens para promover influência pró-israelita no Partido Trabalhista britânico e minar a liderança do seu líder, Jeremy Corbyn, um conhecido apoiante da causa palestiniana.

Em conversas secretas, filmadas por um jornalista disfarçado, um alto funcionário da embaixada israelita em Londres, Shai Masot, descreve pormenorizadamente os seus planos para a criação de uma ala juvenil da organização “Labour Friends of Israel (LSI) – Amigos de Israel do Partido Trabalhista – explicando que já tinha montado organizações semelhantes no passado.

Masot fala das delegações de trabalhistas que convidava a visitar Israel e disse que Joan Ryan, presidente da LFI, tinha visto aprovado um orçamento de 1 milhão de libras [1.157.130 euros] para financiar mais viagens.

Nas filmagens, o funcionário israelita gaba-se de ter criado um grupo conhecido como “Amigos da Cidade de Israel” em colaboração com a AIPAC, uma influente organização de lóbi pró-Israel nos Estado Unidos da América (EUA).

Descrevendo o líder trabalhista Jeremy Corbyn como "louco", Masot conta que tinha montado uma ala de jovens dos “Amigos Conservadores de Israel” em 2015 e queria fazer o mesmo no Partido Trabalhista, mas não tinha sido bem-sucedido por causa da "crise", entenda-se a campanha interna para a eleição do líder dos trabalhistas.

Nas filmagens dessa reunião refere também que não deseja ver Jeremy Corbyn vencer a disputa da liderança contra Owen Smith e que os simpatizantes de Corbyn são "esquisitos" e "extremistas".

Numa outra reunião assume que prefere que o "o partido não fique com Corbyn". Em referência a vários deputados trabalhistas que visitaram recentemente a Cisjordânia, acrescenta: "Alguns deles estão contra Corbyn, então quem sabe?"

Corbyn é apoiante do movimento de Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS) [a Israel], que Masot diz ter ficado responsável por desacreditar.

As conversas foram secretamente filmadas por um repórter da Al Jazeera, disfarçado de ativista trabalhista pró-Israel, que ganhou a confiança de Masot, tendo conseguido infiltrar-se de forma tão eficaz que acabaria por ficar responsável por criar o grupo “Jovens Trabalhistas Amigos de Israel”.

Numa conversa posterior, Masot sublinha que a organização deveria permanecer independente, mas reitera que a embaixada israelita poderia ajudar. Questionado se tinha criado outros grupos no Reino Unido, disse: “Nada que possa partilhar, mas sim. Sim, porque há coisas que, sabe, acontecem, mas é bom deixar essas organizações independentes. Mas nós ajudamo-los, na verdade”.

O jornalista conseguiu até gravar ativistas trabalhistas pró-israel a falar dos apoios financeiros recebidos da embaixada israelita. Numa conversa gravada fora de um bar londrino, Michael Rubin, o responsável parlamentar da LFI e ex-líder dos Estudantes Trabalhistas, disse: "Shai falou comigo e disse que a embaixada israelita também terá um pouco de dinheiro, o que é bom ... disse que está feliz em ajudar financeiramente um conjunto de iniciativas, então isso torna tudo mais fácil, então não acho que o dinheiro realmente venha a ser um problema".

Rubin revela inclusivé que ele e Masot "trabalham muito juntos ... mas muito disso está nos bastidores".

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