Este domingo, o Presidente grego reuniu com os vários partidos que conseguiram eleger deputados nas últimas eleições. A nova ronda de negociações tem lugar esta segunda-feira e será também conduzida pelo Presidente Carolos Papoulias, prevendo-se que sejam convocados os partidos que se classificaram nos três primeiros lugares nas inconclusivas legislativas de 6 de Maio - os conservadores da Nova Democracia, os socialistas do PASOK e o Syriza, da esquerda radical -, bem como a esquerda moderada (Esquerda Democrática).
Contudo, o líder do Syriza, Alexis Tsipras, recusou-se a participar nesta reunião e Fotis Kouvelis, líder da Esquerda Democrática, já veio dizer que a Grécia não vai conseguir formar Governo.
Se não for encontrada uma solução, a Grécia terá de realizar novas eleições legislativas no próximo mês de junho, prolongando a incerteza política e lançando dúvidas sobre as condições do país para se manter na zona euro.
O impasse e as dúvidas dos investidores sobre a crise das dívidas soberanas da Europa, com os problemas da Grécia em primeiro lugar, estão a criar incertezas no mercado.
Dificuldades de liquidez pressionam solução de governo de unidade
O primeiro-ministro ainda em exercício, Lucas Papademos, enviou um alerta ao presidente da República da Grécia, no qual sinalizou que o pagamento de salários e de reformas pode estar em risco já no próximo mês. Menos mil milhões de euros e a falta de um Governo em Atenas que negoceie com a troika podem colocar a Grécia à beira da bancarrota.
“É possível que o Governo não consiga pagar salários e pensões a partir do início de Junho, porque a tranche de Maio [do empréstimo externo] foi reduzida em mil milhões de euros e porque as receitas fiscais ficaram abaixo do que estava previsto”. O alerta foi dado por Lucas Papademos (o ainda primeiro-ministro) e transmitido aos partidos pelo Presidente grego, Karolos Papulias.
De acordo com o jornal de Atenas “Ta Nea”, o presidente da República da Grécia transmitiu esta mensagem aos partidos políticos para alertá-los quanto à situação dramática em que o país se encontra.
A chantagem internacional é forte: alguns Estados-membros da União Europeia opõem-se a continuar a pagar os empréstimos enquanto o país não conseguir consenso na formação do novo governo.
Esta segunda-feira, o Governo alemão deixou a seguinte mensagem pública: a Grécia deve respeitar os termos e o calendário do programa de reformas negociado com a União Europeia e o Fundo Monetário Internacional no âmbito do resgate financeiro. “Esta é o único caminho, e o mais correto, para a Grécia sair da crise”, disse um porta-voz do ministro das Finanças alemão numa conferência de imprensa, sublinhando que o programa “é válido mesmo depois das eleições” gregas, cujos resultados demonstram uma recusa geral do memorando com a troika.
Também esta segunda-feira, os ministros do Eurogrupo vão reunir-se em Bruxelas, a partir das 15h, com o principal objetivo de enviar uma mensagem enfática aos partidos gregos no sentido de que a Grécia deve respeitar os termos do acordo negociado em Março para continuar a receber ajuda financeira.