Ideias para Debate aberto sobre os resultados eleitorais

28 de junho 2011 - 0:50

Contributo de João Pedro Santos

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Sou um militante recente do BE (aderente nº 9109) e apesar de ainda não dominar todos os meandros políticos onde o BE se move, deixo aqui algumas reflexões pessoais sobre os resultados das passadas eleições de 05/06/2011:

Considerando sempre que a Direcção do BE e seus órgãos políticos tomaram as melhores decisões possíveis, com os factos disponíveis no momento, a meu ver, houve alguns aspectos que não correram no seu melhor:

- na moção de censura apresentada pelo BE na Assembleia da República, tornou-se estranha a crítica inicial ao PCP pela intenção de apresentação de uma moção de censura e o BE passados alguns dias ir apresentar a sua moção de censura. Esta decisão causou-me alguma confusão, pois manifestou falta de discussão interna sobre o tema e sobre o que deveria ser dito e assumido em público. Dizer que 'não' e depois que 'sim' no mesmo assunto é sempre contraproducente. Não coloco em causa a decisão da moção de censura em si, mas sim o caminho trilhado até a assumirmos politicamente.

- quanto à ausência do BE na reunião com a Troika, compreendi todos os argumentos apresentados pelo BE para esta decisão, mas de qualquer maneira penso que o BE deveria ter estado presente pelos seus militantes e pelos eleitores que representava na altura, além de que poderia contestar de viva voz a Troika e suas decisões. Aos faltosos nunca coube falar ou contestar nada, pois simplesmente não estão lá para se queixarem.

- penso que o BE deveria criar um grupo de trabalho de Marketing/Análise Política, pois acredito que nas passadas eleições de 2009 contámos com votos transitórios de eleitores habituais de outros partidos que nos criaram a ilusão de um progresso real junto do eleitorado. Os resultados/sondagens deste grupo de trabalho deveriam depois ser disponibilizados no Esquerda.net e aos militantes do BE com alguma regularidade.....penso que poderíamos contar assim com uma análise profunda ao eleitorado para compreendermos as suas movimentações de voto, os seus interesses, preocupações e tentar responder à altura desse desafio nas nossas campanhas propostas políticas. E, além disso poderíamos saber com o que contamos em termos de votos e não sairmos com as nossas expectativas defraudadas.

- penso que seria também bastante produtivo/vital começar a fazer aproximações ao PCP em termos políticos, dentro e fora da Assembleia da República, organizando coligações políticas em câmaras, juntas de freguesia; campanhas comuns temáticas na rua; debates comuns; etc. pois torna-se claro que toda a Esquerda se deve unir neste momento difícil na Europa, deixando para trás as suas diferenças e críticas mútuas, e promovendo um caminho comum para os próximos anos que se avizinham mais complicados a todos os níveis.

Para terminar e, reflectindo sobre os acontecimentos recentes envolvendo o triângulo BE, Francisco Louçã e Rui Tavares, penso que foi bastante infeliz toda a novela vivida nos últimos dias nos jornais sobre os arrufos entre o Francisco Louçã e Rui Tavares que poderiam ter sido tratados de uma forma mais séria, sóbria e contida. Quando quero lavar roupa, faço-o em casa, não venho para a rua chamar a atenção a meio mundo. Se o Rui Tavares tinha cometido ou não erros nas entrevistas, isso nunca pôs em causa o mérito do Fernando Rosas e a seu tempo essas situações poderiam ser clarificadas e corrigidas, com uma carta escrita e pensada a frio aos jornais a clarificar os erros, de uma forma isenta e já esclarecida com o Rui Tavares. Penso que o Facebook é um instrumento político muito eficaz, mas o seu uso deve ser regrado. Assim, queria deixar o apelo aos militantes e dirigentes do BE para serem mais cautelosos no uso das redes sociais e dos media para evitar cenas decadentes e que apenas deitam o BE pela lama da amargura.

João Pedro Santos, aderente nº 9109