França exige explicações aos EUA após “revelações chocantes” sobre espionagem

21 de outubro 2013 - 10:24

A França exigiu esta segunda-feira explicações aos Estados Unidos sobre "revelações chocantes" publicadas no diário francês Le Monde, segundo as quais a Agência Nacional de Segurança (NSA) norte-americana intercetou, de forma massiva, comunicações telefónicas de cidadãos franceses.

PARTILHAR
Quartel-General da Agência Nacional de Segurança (NSA) no Maryland, EUA.

Em entrevista à rádio Europe 1, o ministro do Interior francês, Manuel Valls, descreveu como "chocantes" as revelações da edição de hoje do jornal Le Monde, adiantando que vão ser pedidas "explicações detalhadas às autoridades norte-americanas nas próximas horas".

Segundo a edição online do jornal francês, que cita documentos do ex-analista Edward Snowden, a agência de espionagem norte-americana gravou, em França, 70,3 milhões de telefonemas durante um período de 30 dias - entre 10 de dezembro de 2012 e 8 de janeiro de 2013.

"Se um país amigo, um país aliado, espia a França ou espia outros países europeus, isto é completamente inaceitável", realçou o ministro.

De acordo com o Le Monde, os documentos facultados mostram que a NSA parece ter apontado a mira não só a pessoas suspeitas de estarem relacionados com atividades de terrorismo, mas também a personalidades do mundo dos negócios e da política francesa.

As autoridades norte-americanas recusaram tecer comentários ao jornal francês sobre documentos "classificados".

Governo francês convocou embaixador americano

"Convoquei imediatamente o embaixador dos Estados Unidos, que será recebido ainda esta manhã no Quai d'Orsay - ministério dos Negócios Estrangeiros francês - , declarou Laurent Fabius, ao chegar a uma reunião de chefes da diplomacia da UE no Luxemburgo.

Este tipo de práticas entre parceiros, que atingem a vida privada, é totalmente inaceitável. É preciso garantir, muito rapidamente, que deixaram de ser realizadas", disse à imprensa o ministro dos Negócios Estrangeiros Laurent Fabius.

Fabius indicou que a França já tinha reagido na altura. "Aparentemente, é necessário ir mais longe", acrescentou, antes do início da reunião com os homólogos da União Europeia.

A NSA dispõe de vários modos de compilar informação, de acordo com o Le Monde. Quando alguns números de telefone são utilizados em França, ativam um sinal que desencadeia automaticamente o registo de algumas conversas.

Este tipo de vigilância recupera também as mensagens enviadas por telefone (SMS) e o conteúdo, em função de palavras-chave. De uma forma sistemática, a NSA conserva o histórico das ligações de cada alvo, precisou o jornal.

Os documentos apresentam explicações suficientes para permitir pensar que os alvos da NSA são para além de pessoas suspeitas de ligações com "atividades terroristas", indivíduos ligados ao mundo dos negócios, da política ou da administração francesa.

Os gráficos da NSA mostram uma média de interceções de três milhões de dados por dia, com picos de quase sete milhões a 24 de dezembro de 2012 e 7 de janeiro deste ano, sublinhou o diário.