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França: mobilização não perde fôlego

De novo 3 milhões saíram às ruas contra o aumento da idade da reforma. Greve paralisou os portos do país. Sindicatos previnem que não vão recuar e que podem usar novas formas de luta.
Pormenos da manifestação de Paris. Foto EPA/HORACIO VILLALOBOS

A mobilização em França deste sábado 2 de Outubro não perdeu o fôlego e esteve ao mesmo nível da última jornada de 23 de Setembro. Os sindicatos ganharam a aposta desta primeira manifestação contra o aumento da idade das reformas realizada num sábado. Apesar de não ter sido maior – 3 milhões em todo o país, segundo os sindicatos –, foi mais diversificada. Muitas famílias compareceram juntas às manifs, e houve uma maior participação da juventude, segundo diversos testemunhos.

"É a prova de que o descontentamento popular se amplifica entre os assalariados”, analisa Bernard Thibault, secretário-geral da CGT.

Para Olivier Besancenot, porta-voz do Novo Partido Anticapitalista (NPA), a mobilização contra o projecto do governo é um sucesso e um bom índice da preparação do dia 12. “Sarkozy errou ao apostar que o movimento perdia fôlego. Não foi o que aconteceu.”

O governo, por seu lado, afirma que as manifestações tiveram 899 mil pessoas, menos que no dia 23. A guerra dos números chega a ser caricata. Em Paris, a manifestação teve 310 mil pessoas, segundo os sindicatos, e 50 mil segundo a polícia, que depois corrigiu para 63 mil.

Mas o secretário-geral do sindicato Unidade polícia, Nicolas Comte, que participou do desfile de Paris, disse ao diário Libération que nem sempre o número contado no terreno pelos polícias é aquele que depois é publicitado.

Em paralelo, os portuários realizaram desde sexta-feira uma greve que fechou os principais portos franceses, reivindicando a reforma antecipada para os estivadores, rejeitando o projecto do governo e recusando a reforma portuária.

No próximo dia 12, quando estiver ao rubro a discussão do projecto de aumento da idade da reforma no Senado, realiza-se uma nova jornada de greve e manifestação. Os sindicatos previnem que não vão recuar. Vamos manter esta firmeza e este apoio popular que nos faz continuar”, diz Bernard Thibault, que adverte que os sindicatos podem usar novas formas de luta se o governo não ceder.

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