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Ex-administrador da SLN vai distribuir subsídios às empresas

Foi Secretário de Estado no governo de Durão Barroso e um dos responsáveis pela administração da sociedade que controlava o BPN e não avisou o Banco de Portugal quando encontrou fraudes. Franquelim Alves é o novo gestor do COMPETE, o programa de incentivos às empresas que dispõe de 5.500 milhões de euros. Ou seja, mais 1.000 milhões do que o que o país vai pagar pelo buraco do BPN.
Franquelim Alves disse aos deputados que a sua administração sabia da fraude nas contas do BPN, mas optou por não avisar o Banco de Portugal. Foto Andre Kosters/Lusa

O Diário Eonómico confirmou a demissão do atual responsável pela gestão do COMPETE - Programa Operacional Fatores de Competitividade - Nelson Souza. A partir de fevereiro, é substituído por Franquelim Alves, o antigo responsável pela área não-financeira da Sociedade Lusa de Negócios, que tinha sob a sua alçada investimentos em sectores como o imobiliário, a saúde, o turismo e a indústria transformadora, entre outros.

No meio das polémicas sobre as nomeações das clientelas partidárias para cargos de direção no Estado, o nome deste social-democrata - que chegou à administração da SLN pela mão de outro notável laranja, Joaquim Coimbra - será mais um a acrescentar à longa lista. Franquelim Alves é economista e já trabalhou no grupo Lusomundo antes de passar para diretor financeiro da Jerónimo Martins. No ano 2000 regressa à Lusomundo e ocupou vários cargos em representação do grupo do tenente-coronel Luís Silva, por exemplo na administração da PT Multimedia.

Franquelim Alves foi um dos antigos administradores da Sociedade Lusa de Negócios ouvido na Comissão Parlamentar de Inquérito ao BPN. Em São Bento, tentou explicar aos deputados porque aprovara as contas da SLN de 2007, mesmo admitindo que nessa altura já todos percebiam o que se estava a passar com o Banco Insular de Cabo Verde, por onde passava uma parte importante dos prejuízos ocultos da gestão de Oliveira e Costa. "Não aprovar seria um colapso completo da própria situação", confessou o ex-administrador para a área não-financeira da SLN.

Franquelim Alves não conseguiu convencer os deputados das razões por que não comunicou ao Banco de Portugal as suspeitas do escândalo financeiro nas contas do grupo e alegou que a SLN teria de fazer primeiro o apuramento de toda a situação. Com a entrada de Miguel Cadilhe para a presidência da SLN, acabou por deixar o cargo.

Esta nomeação do Governo para dirigir os fundos do programa COMPETE levará  Franquelim Alves a afastar-se da presidência executiva da Gi Capital Solutions, uma sociedade de reestruturação de créditos e gestão de carteiras de ativos imobiliários.  No COMPETE, o antigo administrador da SLN será responsável por um orçamento de 5.529 milhões de euros, dos quais 3.103 milhões são financiamento comunitário vindo através do FEDER. Um valor que ultrapassa em mil milhões o que os portugueses vão pagar nos próximos anos pelo buraco do BPN, segundo estimativa do Ministério das Finanças em Setembro.

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