Ana Drago recusou a abordagem de Vítor Gaspar na Comissão de Economia sobre as perdas das empresas públicas no casino financeiro, de "responder sempre com o passado", sem se referir à sua ação nos últimos dois anos. A deputada bloquista lembrou que Gaspar "não vacilou nem pestanejou" quando cortou pensões aos reformados e salário dos trabalhadores, mas quando teve conhecimento dos contratos especulativos com a banca, "esperou dois anos porque era preciso estudar e analisar" o problema.
"O senhor está a fugir das suas responsabilidades", acusou Ana Drago, lembrando que Gaspar não trouxe a auditoria nem os contratos que tem na sua posse e ainda coloca a secretária de Estado envolvida na decisão desses contratos, quando administrava a Refer, a defender a sua posição.
"Quando o Conselho de Ministros se prepara para anunciar cortes que vão cair sempre sobre os mesmos", acrescentou a deputada, esta é a altura para dizer que "não pagamos contratos abusivos" em vez de ceder mais uma vez aos interesses da banca. "Temos de saber o que aconteceu verdadeiramente e conhecer estes contratos", defendeu Ana Drago.
Na resposta, Vítor Gaspar reafirmou a confiança política em Maria Luís Albuquerque, também envolvida nos contratos swap ruinosos para as contas da REFER. A secretária de Estado remeteu a divulgação dos contratos para a Comissão de Inquérito a formar no futuro, sublinhando que há cláusulas nestes contratos que não devem chegar ao conhecimento público. "Eu não tive qualquer envolvimento na definição dos critérios" dos contratos swaps, garantiu Maria Luís Albuquerque, prometendo aos deputados que poderão confirmar isso assim que conheçam os documentos que o Governo se tem negado a divulgar.