A reunião de segunda feira entre os três partidos da coligação do governo foi interrompida pela decisão do Supremo Tribunal Administrativo e o novo encontro marcado para quarta-feira também se revelou inconclusivo. A próxima ronda está marcada para o fim da tarde de quinta-feira, quando o tribunal também volta a reunir para clarificar a decisão tomada na segunda-feira de suspender o ato legislativo do governo.
Antes da reunião, Evangelos Venizelos (PASOK) e Fotis Kouvelis (Dimar - Esquerda Democrática) acertaram agulhas sobre a posição a levar ao encontro com o primeiro-ministro Antonis Samaras. Os dois partidos anunciaram que defendiam a reabertura imediata da ERT antes de qualquer reestruturação da emissora pública, enquanto a Nova Democracia pretende uma solução transitória, com as emissões asseguradas por uma equipa mínima de trabalhadores, mantendo o despedimento dos mais de 2600 funcionários da ERT.
Mas no final da reunião de quarta-feira, as declarações de PASOK e Dimar já não sublinharam a exigência que tinham poucas horas antes. Em vez de se referirem explicitamente ao nome da ERT, Venizelos e Kouvelis falaram em restabelecer o serviço público de televisão, deixando antever uma aproximação ao modelo pretendido por Samaras. Por outro lado, ambos sublinharam que em cima da mesa esteve também a questão da gestão da coligação no futuro. Samaras terá prometido uma remodelação do governo para o início de julho e a discussão dos nomes para as pastas ministeriais também faz parte das negociações com vista a uma decisão conjunta sobre o modelo do serviço público de informação.
Tsipras: "Não pode haver acordos enquanto houver despedimentos bárbaros e ecrãs negros"
Ao fim da tarde desta quarta-feira, milhares de pessoas voltaram a juntar-se em frente à sede da ERT, numa concentração promovida pelas centrais sindicais GSEE e ADEDI. O líder do Syriza também esteve presente e alertou na sua intervenção para o papel que PASOK e Dimar têm desempenhado ao longo desta crise. Para Alexis Tsipras, "eles têm de perceber que não pode haver acordos enquanto houver despedimentos bárbaros e ecrãs negros na ERT".
Tal como fez na segunda-feira no comício do Syriza que encheu a Praça Syntagma, em Atenas, Tsipras desafiou o primeiro-ministro a obedecer à decisão do tribunal e reabrir de imediato a ERT. "O governo Samaras continua pelo nono dia consecutivo a manter fechado o sinal de transmissão da emissora pública", acusou o líder da oposição, antes de o desafiar a "obedecer à legitimidade democrática", anulando uma decisão ilegal e inconstitucional.
Já depois do fim da reunião dos partidos do governo e das declarações de Venizelos e Kouvelis, o Syriza emitiu uma nota à imprensa sublinhando que "nenhum deles disse sequer uma palavra sobre o ato legislativo ilegal e inconstitucional" de encerrar a ERT, "o que faz antever que irão finalmente dar o seu acordo à decisão arbitrária do primeiro-ministro" na reunião desta quinta-feira. O Syriza considera que o fim da ERT é um ataque sem precedentes à democracia na Grécia e razão para a queda do governo, insistindo que "deve ser o povo a ter a última palavra" para acabar com esta crise política.