“Num momento em que o discurso sobre medidas de austeridade e cortes em gastos sociais tem vindo a subir de tom, este relatório coloca o enfoque nas centenas de milhares de crianças que correm o risco de ficar para trás nos países mais ricos do mundo,” afirmou o Director do Centro de Estudos Innocenti da UNICEF, Gordon Alexander.
Segundo este estudo do Innocenti (link para o comunicado de imprensa da Unicef Portugal), com dados de 2008 - que são os mais recentes conhecidos, Portugal é o país que tem a mais alta taxa de pobreza infantil da OCDE.
Antes da atribuição de apoios sociais, outros países têm taxas mais elevadas, como o Reino Unido, a Irlanda e a Hungria. Contudo, os apoios às crianças e às famílias em Portugal não são os suficientes, nem os mais indicados, tornando dramática a situação das crianças mais pobres em Portugal.
Portugal faz parte dos países, assinalados pelo relatório, como os que “estão a permitir que as suas crianças mais vulneráveis fiquem mais para trás”. A Itália, os EUA, o Reino Unido e a Grécia são citados como outros países em que as crianças mais pobres estão a ficar para trás, ao contrário de outros países como a Dinamarca, a Finlândia, a Irlanda, a Suíça e a Holanda, que estão à frente na promoção da igualdade no que diz respeito ao bem estar das crianças. A Unicef alerta “para as sérias consequências que as desigualdades acarretam para estas crianças, bem como para a economia e para as sociedades”.
Neste estudo, um dado positivo para Portugal diz respeito à saúde, pois o nosso país surge como um dos que apresenta mais baixos nível de desigualdade na saúde das crianças, depois da Holanda e da Noruega.
Os cortes nos apoios sociais, nomeadamente os cortes drásticos no abono de família, assim como outras medidas gravosas aprovadas pelo Governo Sócrates nos últimos meses, com o apoio do PSD, aumentam significativamente o risco de agravamento da pobreza infantil em Portugal.