Este contributo, que nos foi enviado por Álvaro Delgado, é a passagem “a escrito do resultado de debate político corrente feito entre elementos do núcleo de Loulé. Não é a posição do núcleo. São só registos das abordagens feitas”.
1- Não querer perceber e achar que tudo está bem.
2- Ver que o BE perdeu, mas procurar desculpas nas circunstâncias e nos outros.
3- Ver que o BE perdeu e interrogar-se porquê? Com seriedade e vontade de melhorar.
Com as 2 primeiras não gasto tempo, já muitos se dedicaram a esse exercício sem sentido.
A sério, devemos perguntar-nos:
- Por que razão muito menos votaram no BE ?
-Porque as soluções apresentadas pelo BE para sair da crise não convenceram as pessoas. De outro modo, as pessoas, que não são burras, teriam dado o seu voto ao BE. Recuso-me a aceitar a teoria que as pessoas foram enganadas pelos outros. Essa do engano é fugir à questão, é não fazer um esforço por entender o que falhou efectivamente.
- O discurso centrado na crítica a Sócrates era o que os cidadãos precisavam de ouvir de nós? As ideias eram boas, mas não foram apresentadas de maneira convincente? As ideias eram boas? Será que os cidadãos queriam era saídas credíveis para a crise? Entendo que devemos centrar-nos na resposta a esta última questão. Não é trabalho fácil. O povo com dificuldades na vida espera que lhe indiquem saídas. Se acreditar nelas, vem à luta, com quem as apresentar. O BE tem que apresentar saídas, sem encostos ao poder, mas também sem radicalismo que nos afasta do sentir da população com dificuldades. Ideias muito radicais, desfasadas do sentir da população, podem ser engraçadas no círculo de amigos, mas em política valem zero.
- Quando nos batemos com determinação como tem sido feito e não se vê o resultado , há que procurar as razões. As tiradas de retórica que temos lançado não colaram? Mudemos o discurso. As ideias que avançámos não foram aceites, não se traduziram em votos? Reformulemos a maneira de as apresentar ou mudemos as ideias. Achar que temos razão, não termos votos e prosseguir na mesma linha, é de Esquerda? Não acho.
- Vamos mudar esta maneira de actuar. Vamos ouvir os mais novos, os não viciados em organizações políticas à moda antiga, os que não querem saber de partidos mas têm vontade de trabalhar para mudar a vida dos desfavorecidos deste povo. Vamos pensar. Vamos discutir. Vamos ao trabalho de, com o povo, elaborar soluções e fazê-las chegar aos cidadãos em palavreado que eles entendam. Através dos partidos e das organizações existentes, no caso, o BE. Vamos à luta de maneira eficaz.
- Presidenciais com apoio a Manuel Alegre, viragem brusca para a moção de censura e não ida às reuniões com a troika, são do ponto de vista da actuação política situações que certamente contribuíram para a quebra eleitoral. Contribuíram igualmente para a fragilização interna?
Lançadas estas interrogações viradas para a actuação exterior, que é a meu ver a essencial, devemos também olhar para o que se passa internamente e tentar perceber como o funcionamento interno pode influenciar bem ou mal, a definição das estratégias de intervenção política.
QUESTÕES DE ORGANIZAÇÃO e INTERVENÇÃO
- TIPO DE INTERVENÇÃO – Simplicidade da linguagem, se queremos alargar a influência do bloco para alem das camadas que actualmente nele votam. Clareza na explicação das críticas e das soluções apresentadas. Menos tiradas bombásticas e mais trabalho na elaboração das soluções que apresentamos. Temos mesmo que pensar nestas questões.
- Outra via é fazer umas declarações bombásticas e apresentar propostas muito radicais mas completamente desfasadas do sentir da população. Se não se sabe estuda-se, discute-se e encontra-se/elabora-se propostas com viabilidade de vitória. Assim a população pode tomá-las como suas e bater-se por elas com o nosso apoio.
- A MESA NACIONAL reúne e deita directivas para a organização. Os membros vão para as reuniões com discussão prévia dos temas nas organizações de base? As decisões e orientações da Mesa podem reflectir o sentir das bases? De quem está mais em contacto com a realidade da vida do dia a dia da população? Como articular a necessidade de operacionalidade com a de representatividade e de democracia interna?
- ESTRUTURA ORGÂNICA – NÚCLEOS e intervenção por área de residência ou por interesses e capacidades? Com as actuais possibilidades de troca de ideias não será de melhorar a intervenção por áreas de actividade, dando-lhe estruturas orgânicas flexíveis (professores, juventude, sindical, minorias, ambiente, internacional, cultura, autárquico, etc)? Se continuar a haver debate político e linha geral, será que a organização por áreas de interesse começa a gerar desvios ou antes aumenta a participação por cada aderente participar nos temas de que gosta?
- DISCUSSÃO POLÍTICA tem que ser incentivada, não como um fim em si, mas como a possibilidade de melhorar a nossa capacidade de perceber a realidade envolvente e de encontrar soluções para os problemas. Não é para discutir politiquices ou teorias loucas, é para nos tornarmos mais fortes na intervenção social.