Cabeçudos e outros mascarados do Carnaval de Torres Vedras vão manifestar-se no dia 18 em frente à residência oficial do primeiro-ministro contra a decisão anunciada por Passos Coelho de não haver tolerância de ponto na terça-feira de Carnaval.
O anúncio foi feito pelo presidente da Câmara, Carlos Miguel (PS). "Vamos entregar ao senhor primeiro-ministro um monumento fúnebre por não haver tolerância de ponto", disse o autarca.
à agência Lusa.
Passos Coelho anunciou sexta-feira à noite que o governo não dará a tradicional tolerância de ponto aos funcionários públicos no Carnaval, argumentando que "ninguém perceberia" que tal acontecesse numa altura em que o governo se propõe acabar com feriados.
Mas para o ex-presidente da câmara de Cascais António Capucho, militante do PSD e antigo conselheiro de Estado, a decisão é um “erro crasso”.
“Os nossos governantes também têm de ter a noção que, depois de cortarem quatro feriados, impedirem que as pessoas tenham um dia por ano para manifestarem a sua alegria, a sua descontração, é disparatado. Sinceramente, acho disparatado”, afirmou, recordando os “graves prejuízos para as economias locais” que a decisão acarretará.
Cavaco Silva fez o mesmo e recuou
Recorde-se que em 1993 o então primeiro-ministro Cavaco Silva decretou que a terça-feira de Carnaval não teria tolerância de ponto, o que sucedeu pela primeira vez em 23 anos. Nesse dia, os deputados do PSD compareceram em massa à Assembleia da República mas foram os únicos a aparecer.
O coordenador da Frente Sindical da Administração Pública (FESAP), Nobre dos Santos, exortou os funcionários públicos a comparecerem mascarados ao trabalho na terça-feira de Carnaval, em sinal de protesto.
"As pessoas deverão responder em conformidade no dia de Carnaval e ir mascaradas para os serviços e no dia 18 vai haver uma concentração de cabeçudos em Torres Vedras, era interessante que aparecessem alguns funcionários públicos", disse o sindicalista à Lusa.
"Acho que as Câmaras deviam enfrentar esta decisão e dar tolerância de ponto aos funcionários municipais nas suas áreas de influência", sugeriu.
Já o secretário-geral da CGTP considerou a decisão inadmissível e “que mostra a opção do governo em castigar os trabalhadores com mais um dia de trabalho". Para Arménio Carlos a decisão "não faz sentido" e mostra "uma obsessão doentia em tratar mal os trabalhadores".