"Nesta empresa tem havido sempre lucros ao longo de 50 anos. Esta vaga de despedimentos colectivos está a tratar os trabalhadores como se fossem lixo, peças, dispensáveis, quando pelo contrário são estes trabalhadores que têm feito o país. É por isso que é tão importante opormo-nos a estes despedimentos", disse o coordenador da Comissão Política do Bloco, depois de ter estado numa concentração dos trabalhadores da empresa em frente ao edifício da Portugal Telecom (PT), em Lisboa.
A Páginas Amarelas (PA) vai fazer um despedimento colectivo de 70 dos 420 funcionários para fazer face à diminuição de receitas. O conselho de administração da Páginas Amarelas é composto por cinco elementos: dois administradores da Portugal Telecom (PT) (detém 25% da empresa), dois administradores da Truvo (capital belga, que detém os restantes 75% da empresa) e um presidente eleito pela PT.
Para Francisco Louçã, "há vários casos que agravam imenso a injustiça" do despedimento colectivo, nomeadamente a contratação de outros trabalhadores "em outsourcing, com ordenados mais baixos" e a antecipação do pagamento de dividendos da PT, que assim, defende o deputado do Bloco, "está a fugir ao pagamento do seus impostos".
"O contribuinte é prejudicado, os trabalhadores são despedidos, o que é salvaguardado sempre é o benefício de uma empresa que pode fazer dos trabalhadores 'gato-sapato'. Há aqui um problema gravíssimo de injustiça e incoerência", sublinhou Francisco Louçã.
Despedimento colectivo coincide com contratação de trabalhadores precários
Cerca de 50 trabalhadores da PA concentraram-se esta manhã junto ao edifício da PT, nas Picoas, e aí regressarão pelas 18h para outro protesto contra o processo de despedimento colectivo.
Helena Oliveira, da Comissão de Trabalhadores da Páginas Amarelas (CTPA), defende que é "inadmissível" que se despeçam efectivos da empresa "ao mesmo tempo" que se contratam a prazo e em "outsourcing" novos empregados. A representante dos trabalhadores lembrou que a Comissão de Trabalhadores da PT e o próprio Sindicato dos Trabalhadores da PT estão do lado destes funcionários envolvidos no despedimento colectivo.
"Enquanto houver temporários e trabalho de 'outsourcing' não se admite que mandem embora os efectivos", disse Helena Oliveira.
Na nota divulgada esta segunda-feira, os trabalhadores questionam a PT pelo voto favorável do presidente do Conselho de Administração da Páginas Amarelas, Raúl Capela, "nomeado pela PT" e que "permitiu" que o processo de despedimento fosse activado.
Além disso também denunciam que os trabalhadores receberam e-mails do Director-Geral sobre as propostas que estão em discussão nas reuniões da fase de negociação do procedimento despedimento colectivo (onde estão representadas as partes envolvidas), apresentando directamente aos trabalhadores uma falsa alternativa de indemnização, caso aqueles não aceitem a última proposta da empresa feita à CT no dia 17 de Novembro. Segundo a CTPA, o Director Geral, através desse e-mail, “vem pôr em causa a legitimidade da Comissão de Trabalhadores na representação dos trabalhadores”.
Durante a tarde desta segunda-feira a CTPA reunirá com os trabalhadores envolvidos no processo de despedimento de forma a apurar-se qual a posição que deverá ser defendida esta terça-feira, naquela que será a última reunião entre a CT, o Ministério do Trabalho e direcção das PA.