Bloco denuncia "acumulação ilegal" de funções nos hospitais públicos e privados

14 de junho 2012 - 1:22

O deputado João Semedo quer explicações do Governo sobre a situação de cinco médicos do Centro Hospitalar Universitário de Coimbra que acumulam funções na Idealmed, a recém-inaugurada unidade de saúde privada anunciada como a maior da Região Centro. A administração do hospital privado respondeu que não tem vínculo contratual com nenhum médico e que na Idealmed eles são considerados "prestadores de serviços".

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Idealmed justifica acumulação ilegal com a falta de vínculo laboral entre o hospital privado e os médicos que ali dirigem especialidades.

"O Bloco de Esquerda considera que esta situação prefigura um claro atropelo à legalidade, evidenciando também uma inaceitável promiscuidade entre serviços públicos e privados, que não pode ser permitida", diz o requerimento dirigido ao Ministério da Saúde.



Os exemplos de médicos que estarão a agir em violação da lei são dados no requerimento: "o médico que coordena o Serviço de Medicina Interna do CHUC exerce as mesmas funções no serviço de oncologia do Idealmed; o médico que coordena o serviço de Medicina Física e de Reabilitação do CHUC exerce idêntica função no Idealmed; a coordenação do Serviço de Medicina Ginecológica do CHUC é assegurada pelo mesmo clínico que coordena a Medicina da Reprodução no Idealmed; o médico que coordena o serviço de radiologia do CHUC efetua a coordenação do serviço de Imagem Médica no Idealmed e, por fim, o médico que coordena a Unidade de Gerontopsiquiatria do Serviço de Psiquiatria do CHUC é coordenador da Unidade de Psiquiatria e Psicologia da Idealmed", afirma João Semedo, explicando que isso contraria o Despacho nº 725/2007, que torna incompatíveis esses cargos no público e no privado.



A resposta da administração do hospital privado surgiu esta quarta-feira e foi surpreendente. “A Idealmed não tem nenhum médico que possa estar numa qualquer situação de incompatibilidade profissional, porque a Idealmed não tem nem nunca teve qualquer vínculo contratual com um único médico”, afirmou à Lusa José Alexandre Cunha, administrador daquela unidade hospitalar privada.



O administrador da Idealmed acrescenta que “todos os médicos que colaboram com o hospital são prestadores de serviços, como em qualquer clínica ou consultório”. E essa situação de precariedade, no seu entender, dispensa o hospital de cumprir o que diz o despacho.



A unidade hospitalar de Coimbra foi inaugurada a 16 de maio, mas ainda não dispõe de licença de utilização para muitos dos serviços. “O Idealmed inaugurou e abriu com os serviços que pode disponibilizar (consultas externas). Agora aguardamos licenças para começar com os internamentos e os blocos cirúrgicos”, referiu José Alexandre Cunha, acrescentado que estas serão passadas pela Administração Regional de Saúde, que “já enviou uma comissão de avaliação técnica ao hospital”.