Na carta subscrita por dez ministros e dois secretários de Estado (Portugal e Espanha) europeus, é feito o apelo para a continuação das negociações do TTIP com os Estados Unidos. Nas últimas semanas, vozes influentes dos governos alemão e francês praticamente decretaram o óbito das negociações, ao não existir acordo para fechar nenhum dos capítulos da proposta em cima da mesa. Por outro lado, os dois principais candidatos na corrida à Casa Branca têm assumido posições contrárias à assinatura do TTIP, sendo quase impossível que a negociação seja fechada a tempo de ainda ser assinada pelo atual presidente norteamericano.
Neste contexto, a posição do governo português expressa na carta enviada na quarta-feira à comissária Cecilia Malmström vem demonstrar a sua “vontade em querer estar na suposta vanguarda das negociações de um tratado que é claramente prejudicial também para o povo português”, afirma a deputada bloquista Isabel Pires.
“O Bloco de Esquerda tem vindo a alertar sistematicamente para estes perigos e a exortar o governo para que seja uma voz ativa contra este tratado", afirmou a deputada ao esquerda.net, lamentando que a posição agora subscrita pela secretária de Estado dos Assuntos Europeus vá no sentido contrário.
“Continuamos a repudiar fortemente quaisquer negociações do tratado que mais implicações nefastas terá para os povos europeus, sendo certo que continuaremos a pressionar para que o processo tenha o seu término o mais rapidamente possível”, conclui Isabel Pires.
A carta a pedir à comissária que salve as negociações do TTIP é subscrita pelos representantes dos governos da Inglaterra, Suécia, Lituânia, Letónia, Itália, Irlanda, Finlândia, Estónia, Dinamarca, República Checa, Espanha e Portugal.