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Bloco condena arrogância colonial da Comissão Europeia

Após a reunião da mesa nacional do Bloco que aprovou as listas candidatas às eleições, Francisco Louçã afirmou que o comissário europeu Olli Rehn respondeu a Cavaco Silva com uma “arrogância colonial a que Portugal não está habituado e que a UE não pode aceitar” e realçou: “Recusamos o PEC4, porque recusamos as medidas que afectam as pessoas”.
Francisco Louçã: “Recusamos o PEC4, porque recusamos as medidas que afectam as pessoas” - Foto de António Cotrim/Lusa

No final da reunião da Mesa Nacional do Bloco de Esquerda, que aprovou as listas de candidatos a deputados para as próximas legislativas, Francisco Louçã afirmou que o PS e o PSD vão propor às eleições “o mesmo programa: reduzir salários e pensões e atacar bens públicos”.

“Se a solução que o Governo nos propõe é de novo o PEC4 ou um PEC4 aditivado e piorado por um ataque ao 13º mês ou ao subsídio de natal, tem que haver uma esquerda com força que defende os reformados, os trabalhadores”, salientou o coordenador da comissão política do Bloco de Esquerda.

Francisco Louçã condenou a “arrogância colonial” manifestada nas declarações do comissário europeu para os assuntos económicos e financeiros, Olli Rehn, que disse que “para o bem de Portugal e da Europa”, preferia “não ter de dialogar na praça pública todos os dias com os dirigentes de Portugal”, em resposta ao apelo de Cavaco Silva para que a União Europeia demonstre “imaginação”.

“Quero dizer-lhe em nome dos portugueses, de quem está desempregado por estas políticas, de quem sabe que a economia está a ser estrangulada, que não é aceitável. Já temos tido demasiada paciência e demasiada imaginação para permitir que a Europa seja destruída por uma visão mesquinha que só assenta no desemprego como solução para as economias”, criticou Francisco Louçã.

As listas candidatas às eleições legislativas de 5 de Junho, aprovadas pela reunião da mesa nacional do Bloco de Esquerda deste domingo, reconduzem a/os 16 deputada/os que foram eleitos nas legislativas de 2009 nos lugares em que foram eleitos, à excepção de Fernando Rosas que deixou o lugar de deputado em Outubro passado, para se dedicar à carreira académica, e que desta vez será mandatário da lista do Bloco por Setúbal.

Assim, no círculo de Lisboa os primeiros cinco candidatos são Francisco Louçã, Ana Drago, Luís Fazenda, Helena Pinto e Rita Calvário, enquanto no Porto os três primeiros são João Semedo, Catarina Martins e José Soeiro e em Setúbal os dois primeiros são Mariana Aiveca e Jorge Costa e em terceiro lugar concorre António Chora, coordenador da comissão de trabalhadores da Autoeuropa.

Em Coimbra, o cabeça de lista será o líder parlamentar José Manuel Pureza e em Braga, o presidente da comissão parlamentar de agricultura, Pedro Soares, sendo o segundo candidato José Maria Cardoso, professor. Em Aveiro, a lista do Bloco é encabeçada por Pedro Filipe Soares, em Faro o primeiro lugar é da deputada Cecília Honório, sendo o segundo o professor João Vasconcelos. Em Leiria, o primeiro candidato do Bloco é Heitor de Sousa e em Santarém, José Gusmão.

Sobre a candidatura, Francisco Louçã declarou: “Apostamos fortemente numa eleição que em todo o território nacional represente uma grande força com o objetivo do reforço do Bloco de Esquerda, para que haja mais capacidade para que as políticas de esquerda vençam e para que se abra o caminho indispensável a um governo de esquerda”.

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Comentários

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Continuam as fórmulas vagas, a conversa fiada, como diz o povo. Se o que querem é eleger mais uns deputados, não contem com o meu voto. Nós precisamos de alternativa de governo consistente, que nos livre da decadência dos partidos do sistema. Se não a têm, então são uma desilusão!

"Continuam as fórmulas vagas, a conversa fiada..."?
O bloco tem tido iniciativas que mais nenhum outro partido tem tido no sentido de divulgar as medidas que propõe,desde o lançamento de livros entre tantas outras acções.Portanto disso é que não pode mesmo ser acusado.

Além disso,nota-se que tenta demonstrar algum desprezo pelos partidos que propõem soluções alternativas e dizem aquilo que tem de se saber.Tenho visto muitas intervenções nesse sentido e não vejo outra explicação que não seja o medo crescente dos partidos do bloco central com a galvanização da verdadeira esquerda.Sim aquela que propõe uma política justa e patriótica,que tanto medo provoca aos senhores do cadeirão.
Espero que não seja o caso e se não for vai-me desculpar pelo que estou a dizer,mas espero que esse necessidade da "alternativa de governo consistente" não seja um terrível medo da mudança.

O conceito "Europa" é um cavalo de Tróia. A geração de 1640 foi muito mais patriótica do que a atual. Que se mantenham os laços com a Europa, mas o futuro de Portugal está em Madrid, América e África. Adeus NATO, adeus FMI!

Mas então de que é que estamos à espera para propor/iniciar um debate
sério sobre as vantagens e desvantagens de pertencer à zona EURO.

Fomos aliciados por uns arrivistas politiqueiros para entrar no Euro,
uma moeda ao nível das economia Alemâ -- a mersma que agora não quer dar nada 'pró fundo da cafeteira', fomos vigarizados pelos ditos cujos
para aceitarmosa os aumentos de preços de 300% que tal acartou; destruimos a produção nacional dos latícínios, das pescas, das conserveiras, da asgricultura em geral porque a 'Ouropa a que pertenciamos até já era excendentária nessas actividades (e para ficarmos mais dependentes deles, importando para o n/ consumo!), fomos
hipnotizados com os fundos "a fundo perdido"...E agora comprovam-nos a
Europa Social Solidária que há para nós mereceremos porque ARBEIT MACHT FREI!!!
Então abaixo a UE, morra a UE, morra! PIM!!!

Daqui d'além-mar, de terras tupiniquins, onde nasci, apesar de ter sido criado e educado, com muita honra, em Portugal, faço coro com os compaheiros que defendem a saída da pátria lusa da zona do Euro. Portugal tem valor e tem riqueza; pode voltar-se para a América e para a África e desempenhar um papel à altura da sua História. Não precisa, portanto, humilhar diante de uma UE que também está de pires na mão.

O Bloco é preciso, mais do que nunca, em Portugal.

Preenche um espaço da esquerda muito importante, e não deve deixar que o PS passe a mensagem do voto "útil"... acho que o voto no PS será, isso sim, mais uma vez, um voto "fútil" para a esquerda.

Não entendo como é que um povo explorado, discriminado ainda consegue votar nos partidos do centrão português... é quase um caso de estudo que a história da luta de classes ainda vai conseguir explicar...

Força Bloco!

Tenho pena que o bloco de esquerda se tenha entregue a populismos de esquerda imatura quando promete uma alternativa a uma esquerda do PS que tanto critica. E a julgar pelo caminho que leva, nao prevejo futuro famoso para o partido, ou cresce ou desaparece.

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