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Ativistas laborais do Bloco apontam caminhos no Porto

O encontro debateu como “tirar a troika das relações laborais”, contando com a presença de ativistas do Porto, Braga, Viana do Castelo e Bragança. Artigo e vídeo de Aline Flor.
Foto Henrique Borges.

A 15 de outubro, teve lugar o 1º encontro distrital de ativistas da área laboral, onde se debateu como “tirar a troika das relações laborais”, contando com a presença de ativistas do Porto, Braga, Viana do Castelo e Bragança.

O encontro começou com um painel dedicado ao papel do Bloco de Esquerda no sindicalismo atual. O arranque esteve a cargo de Soares Luz, que sublinhou ser essencial que o Bloco tenha uma organização sindical para reivindicar o seu projeto.

Francisco Alves, dirigente do Bloco e da CGTP, reforçou igualmente a necessidade de agregar os aderentes sindicalizados de forma a criar uma intervenção sindical a partir de pessoas na base, apelando ao partido para que faça esse levantamento.

Adriano Campos, dos Precários Inflexíveis, referiu os novos desafios laborais e sublinhou o papel dos movimentos fora dos sindicatos, como o FERVE - Fartos destes Recibos Verdes, que trouxe o tema à agenda política. O membro da Mesa Nacional do Bloco alertou ainda para casos preocupantes como a "nova clandestinidade" de áreas como o turismo e os novos vínculos laborais de projetos como a Uber, que primam, precisamente, pela ausência desses vínculos.

José Casimiro, da coordenadora nacional do trabalho, reconheceu que "o Bloco tem que olhar para o trabalho de outra maneira", reforçando que o partido precisa de mais formação para os militantes para criar "um sentido de classe para a intervenção no mundo do trabalho".

Entre as intervenções do debate que se seguiu, a tónica foi a mesma: fomentar a consciência de classe, entre os aderentes do Bloco e nos trabalhadores em geral, através de formação; responder aos novos desafios de forma a atrair mais jovens e precários para o movimento sindical; fomentar a sindicalização dos aderentes do Bloco de forma a que as linhas políticas do partido ganhem mais força e possam, a médio prazo, permitir a criação de uma intervenção sindical bloquista mais organizada.

Na segunda parte do encontro, os membros do grupo parlamentar apresentaram as propostas do Bloco na área laboral.

Jorge Magalhães falou sobre a necessidade de “destroikar as relações laborais”, revertendo as alterações na legislação decorrentes do Código do Trabalho de 2009, que não respeita os trabalhadores.

José Soeiro deixou também uma crítica ao Código do Trabalho, referindo ainda a transgressão reiterada das leis laborais e as políticas ativas de emprego como elementos que têm conduzido à precarização do trabalho de uma forma geral. O deputado bloquista admitiu ainda a tensão permanente com o PS em questões como a contratação coletiva e as leis permissivas para relações precárias.

Por fim, Joana Neto falou sobre as prioridades do grupo parlamentar do Bloco: a administração pública, o trabalho e a segurança social. Sublinhando o elevado número de queixas que o GP recebe, Joana Neto deu ênfase a questões como as 35 horas de trabalho para todos os trabalhadores e o problema do assédio moral.

Catarina Martins encerrou o encontro, lembrando as lutas que se viveram no distrito levadas a cabo pelos trabalhadores da EFACEC, Unicer, Sonae Logística, Porto de Leixões, STCP e Metro do Porto. Garantindo que a devolução de rendimentos e o combate à precariedade são os compromissos do Bloco com os trabalhadores. 

1º Encontro Distrital de ativistas laborais do BE no Porto | ESQUERDA.NET

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