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Associação Binaural é a vencedora do Prémio Miguel Portas

Decisão do júri foi tomada por unanimidade e destaca como o projeto da associação, instalada na aldeia de Nodar e que já existe há dez anos, articula a qualidade, o rigor e a exigência da experimentação de novas linguagens artísticas com um contexto do interior do país.
A sala foi pequena para o público. Foto de Paulete Matos
A sala foi pequena para o público. Foto de Paulete Matos

O vencedor da primeira edição do Prémio Miguel Portas foi a Binaural – Associação Cultural de Nodar (São Pedro do Sul). A decisão do júri, tomada por unanimidade, foi anunciada esta quarta-feira na Livraria Ler Devagar, na Lx Factory, em Lisboa, numa sala que foi pequena para o enorme público presente – muita gente não conseguiu entrar.

O júri, presidido por Nuno Portas, considerou que o projeto da Bianural “é exemplar no modo como articula a qualidade, o rigor e a exigência da experimentação de novas linguagens artísticas com um contexto do interior do país, esquecido pelos roteiros habituais das manifestações culturais em Portugal”.

O júri decidiu também atribuir menções a duas outras candidaturas: os projetos Buala e Mouraria Light Walk.

Em nome do júri, o jornalista e crítico Augusto M. Seabra apresentou a decisão recordando que Miguel Portas era “alguém intensamente cosmopolita, sabendo que o cosmopolitismo começa em nós, ao sabermos ter mundo, e descobrir o mundo em volta”. Seabra destacou que são essas também as características do projeto da associação de Nodar, que é “ignorado pelos grandes centros de criação de discurso em Portugal, mas tem repercussões em cidades, de Londres a Boston”.

Capacidade de agir em comum, de construir o comum”

Também em nome do júri, João Fernandes, sub-director do Museu Rainha Sofia, em Madrid (e ex-diretor artístico do Museu de Serralves, no Porto), disse que recordar Miguel Portas será sempre “uma celebração das possibilidades de transformação da vida nas suas pequenas e grandes revoluções, nos projetos que, mais ou menos visíveis, traduzem essa extraordinária capacidade de agir em comum, de construir o comum, com as quais Miguel Portas juntava pessoas a partir do entendimento das diferenças”.

 Miguel Portas era “alguém intensamente cosmopolita, sabendo que o cosmopolitismo começa em nós, ao sabermos ter mundo, e descobrir o mundo em volta”. 

A Binaural nasceu há 10 anos para explorar artisticamente as zonas rurais, sobretudo no domínio da arte sonora experimental, cruzando-a com outras expressões, como a arquitetura ou a arqueologia.

Depois de uma entrevista com os dirigentes da associação conduzida por Ana Soromenho, seguiu-se uma apresentação do Grupo de Cantares de Manhouce. À noite, houve festa no bar Funky.

Conversa em volta de imagens

Também com a intenção de recordar Miguel Portas decorre no dia 4 de maio, domingo, pelas 16 horas, também no bar Funky, uma Conversa em volta de imagens a partir da projeção de fotografias e vídeos de artistas que trabalharam com Miguel Portas. Participam Álvaro Rosendo (fotógrafo), Camilo Azevedo (realizador), Daniel Blaufuks (fotógrafo), Luís Carlos Amaro (designer gráfico).

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