Mediante a confiança, por parte dos investidores, na qualidade dos títulos alemães, e o consequente aumento da procura pela dívida do país, a Alemanha tem vindo a usufruir da diminuição dos juros a pagar para se financiar.
Em 2008, os juros da dívida alemã a dez anos ascendiam a 4,62%. Recentemente, os mesmos registaram o mínimo da última década: 1,21%. Esta segunda feira, as yields das obrigações alemãs, designadas por Bunds, fixaram-se em 1,9%, face aos 6,39% da dívida portuguesa.
De acordo com o Ministério das Finanças alemão, entre 2010 e 2014, a Alemanha vai poupar 40,9 mil milhões de euros devido à diminuição das taxas de juro.
Por outro lado, o aumento da tributação fiscal também tem contribuído para uma redução na emissão de dívida soberana alemã, sendo que, entre 2010 e 2012, o governo de Angela Merkel emitiu menos 73 mil milhões de euros de dívida do que o previsto.
Em 2014, a Alemanha prevê emitir 216 mil milhões de euros em títulos de dívida em mercado primário, menos 24 mil milhões do que em 2013.
Paralelamente, o executivo alemão está a rentabilizar a diminuição das taxas de juro, colocando uma maior quantidade de dívida de longo prazo a taxas de juro favoráveis. Entre 2009 e 2012, a proporção da dívida a curto prazo com maturidades a menos de três anos caiu de 71% para 51%.
O valor arrecadado pela Alemanha graças à crise da zona euro contrasta com as despesas associadas à mesma pagas por este país. Até agora, a crise custou à Alemanha apenas 600 milhões de euros, segundo dados do Ministério das Finanças alemão, citados pelo Der Spiegel.