“Violenta é a austeridade”

20 de novembro 2012 - 18:47

Movimentos sociais e ativistas repudiam a carga policial do dia 14 de novembro e exigem um inquérito à atuação das forças de segurança. E afirmam que um dia nacional e internacional de mobilização histórica não pode ser desvalorizado ou esquecido, quer pela comunicação social, quer pelo governo.

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A conferência de Imprensa foi em frente ao MAI

Movimentos sociais e ativistas deram esta terça-feira uma conferência de imprensa para repudiar a “operação política e policial” da última quarta-feira, em frente à Assembleia da República, e exigir a instauração de “um inquérito à atuação das forças de segurança bem como aos termos em que foram efetuadas as detenções” na noite de 14 de novembro.

A conferência foi no Terreiro do Paço, em frente ao Ministério da Administração Interna, para dar um recado ao governo: “Não temos medo e vamos continuar a sair à rua.”

Em comunicado, consideram que é intenção das autoridades e do governo “fazer esquecer as medidas de austeridade impostas, de extrema violência e que levam à revolta e ao desespero das pessoas”, lembrando que “o dia 14 de novembro foi um dia histórico”, porque por toda a União Europeia e em vários países do mundo realizaram-se greves gerais e protestos nunca antes vistos.

Carga foi a pretexto de incidentes tolerados durante mais de uma hora

Os movimentos repudiam a carga policial ocorrida naquele dia em frente ao Parlamento, “a pretexto de incidentes tolerados durante mais de uma hora e transmitidos em direto pelas televisões” e afirmam que a ação da polícia e do governo pretende “pôr em causa o direito de manifestação, criminalizar a contestação social, e fazer esquecer as medidas de austeridade impostas”. E sublinham: “A liberdade está a passar por este combate e, por muito grande que seja a repressão, não vamos assistir em silêncio a um retrocesso histórico de perdas de direitos duramente conquistados”.

O comunicado distribuído recorda que a carga feriu mais de 100 pessoas, e que a própria Amnistia Internacional Portugal já condenou publicamente o uso excessivo de força policial. Lembra ainda a detenção de várias dezenas de pessoas em zonas tão distantes como o Cais do Sodré; algumas nem tinham estado em frente à Assembleia da República. “Todos os testemunhos que nos chegam comprovam, tal como a Ordem de Advogados já salientou, a existência de inúmeras ilegalidades nos processos de detenção”.

Apelo à mobilização no dia 27 de novembro

E concluem: “Recusamos que um dia nacional, europeu e internacional de mobilização histórica contra as políticas de austeridade seja desvalorizado ou esquecido, quer pela comunicação social, quer pelo governo. Somos cada vez mais a contestar este regime de austeridade e não nos calaremos, por isso apelamos à mobilização no dia 27 de novembro, dia de aprovação do Orçamento do Estado”.