Buraco do BES pode aumentar, avisam auditores

02 de setembro 2014 - 12:11

O dinheiro dos contribuintes injetado no Novo Banco pode não chegar para tapar o buraco aberto pelos Espírito Santo, alerta a KPMG. A auditora duvida do valor dos ativos que passaram para o Novo Banco e recusa-se a assinar as contas semestrais.

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Foto Paulete Matos.

O relatório de revisão limitada divulgado esta segunda-feira pela KPMG contém as razões da auditora do GES para não assinar o parecer às contas do primeiro semestre. A KPMG diz que o impacto das medidas de resolução aplicadas pelo Banco de Portugal é "significativo" para a condição financeira do banco e que tanto a recuperabilidade e realização de ativos bem como o reembolso dos seus passivos "é incerta, uma vez que na presente data não são conhecidos os critérios e bases de avaliação dos mesmos para efeitos 2da sua transferência para o Novo Banco".

Se a nova auditoria fizer a revisão em baixa do valor dos ativos ou aumentar o seu nível de risco, então o Novo Banco terá necessidade de reforçar o seu capital através do Fundo de Resolução, ou seja, dos dinheiros públicos.

A declaração da KPMG é mais um episódio no braço de ferro com o governador do Banco de Portugal, que criticou a auditora e nomeou uma empresa concorrente - a PwC - para auditar as contas do banco. Se a nova auditoria fizer a revisão em baixa do valor dos ativos ou aumentar o seu nível de risco, então o Novo Banco terá necessidade de reforçar o seu capital através do Fundo de Resolução, ou seja, dos dinheiros públicos.

Grandes devedores que investiram em dívida do GES podem deixar de pagar ao BES

Outro dos riscos identificados pela KPMG no modelo de resolução decidido por Passos Coelho e Carlos Costa é o dos detentores de dívida do GES que também têm empréstimos do BES pura e simplesmente deixarem de os pagar. A auditora calcula em mais de mil milhões de euros o volume de dívida subscrita em bancos do grupo, como o Banque Privée Espírito Santo, ES Bankers Dubai e ES Bank Panamá. Os clientes terão subscrito dívida através destes bancos por indicação de responsáveis do BES, pelo que poderão deixar de pagar os seus empréstimos ao banco enquanto aguardam por uma decisão judicial sobre a recuperação do valor investido em papel comercial e outros instrumentos de dívida das empresas do Grupo Espírito Santo.

A todas estas incertezas junta-se a situação do BES Angola, cujas necessidades de capital ascendem a 2.7 mil milhões de euros, na avaliação do Banco Nacional de Angola. Cerca de dois terços dos 4.9 mil milhões injetados pelo fundo de resolução serviram para provisionar a dívida do BESA ao BES. Mas caso não consiga reforçar o seu capital, o banco angolano dos Espírito Santo poderá vir a ser nacionalizado. Com o colapso do GES, o Estado angolano retirou a garantia que tinha dado aos créditos do banco em risco de incumprimento e o Banco Nacional de Angola nomeou administradores provisórios para o BESA.