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Mulheres de Abril

Esta é uma série que reunirá mais de 20 testemunhos, a ser publicada durante os meses de abril e maio, pelo Esquerda.net. São relatos, na primeira pessoa, de mulheres antifascistas sobre a sua história de resistência e de luta contra a ditadura. Coordenação de Mariana Carneiro.

Maio 23, 2017

Tal como acontecera no Luxemburgo, também em França a minha militância continuava junto dos emigrantes portugueses e não no Quartier Latin onde alguns intelectuais portugueses passavam o tempo a conspirar. Por Maria Viegas.

Maio 18, 2017

Em Fevereiro de 1953, dias após ter completado 7 anos, e meses depois de ter entrado para a escola, o meu pai despediu-se da fábrica onde trabalhava desde os 17 anos e fomos morar para Lisboa. Iniciávamos a preparação para a clandestinidade. Por Domicília Costa.

Maio 16, 2017

Para mim, foi o tempo do medo e da sensação de que tudo se fechava. Foi o tempo em que acabei por fazer parte do grupo dos setenta que foram expulsos do ISPA. Até que veio outro tempo. Por Carmelinda Pereira.

Maio 11, 2017

Não tenho ideia de quantos partos de mulheres na clandestinidade cheguei a fazer, mas foram muitos. Por uma questão de segurança, quando me levavam, fechava os olhos para não ver para onde ia. Era um risco, mas tinha de o fazer. Por Maria da Purificação Araújo.

Maio 9, 2017

Então, a prisão. Como leu num texto da Praça da Canção, “de certo modo estava no (seu) posto”. Era, de algum modo, o reconhecimento. De uma grande responsabilidade política? Não. Daquilo que marcara a sua vida, porque não saberia ser de outra maneira: a extraordinária força dos porquês. Por Diana Andringa.

Maio 7, 2017

Tínhamos preparação para a prisão, mas há uma componente subconsciente que não conseguimos controlar. As minhas mãos pingavam, começaram a inchar e a criar umas bolhas. Só mais tarde me apercebi que esse é um dos sintomas do stresse de guerra. Por Sara Amâncio.

Maio 4, 2017

Vivíamos muito mal, condenados à miséria por uma ditadura fascista. Não tínhamos direito a nada e passávamos muita fome. A nossa casa tinha chão de terra e estava cheia de ratazanas. Com oito anos, fui trabalhar para a fábrica com a minha mãe. Por Julieta Rocha.

Maio 2, 2017

Foi na Livrelco que iniciámos a nossa formação política, foi aí que adquirimos uma maior abertura e reforçámos a nossa consciência da necessidade de existir uma sociedade mais justa. Por Irene Rodrigues.

Abril 30, 2017

A não violência a exemplo de Luther King estimulou-me a comprometer-me na luta contra o fascismo. Quando conheci o Luther King português (Nuno Teotónio Pereira), acompanhei-o num trabalho político de divulgação de textos formadores de uma consciência política, como os do jornal Direito à Informação. Por Maria Vitória Vaz Pato.

Abril 27, 2017

A minha radicalização política foi acontecendo, não se deu de um momento para o outro. Era uma exigência política e uma exigência cristã. E foi uma dinâmica que aconteceu no meio dos cristãos. Não foi um processo isolado. Por Maria da Conceição Moita.

Abril 25, 2017

A fúria do chefe da Brigada Silva Carvalho era indescritível, pois além de me insultar e deixar a cara inchada, cuspiu-me três vezes para a cara. Foi este o meu último dia de prisão. Por Maria Custódia Chibante (mulher do Couço).

Abril 23, 2017

Tinha acabado de fazer 17 anos quando participei na primeira manifestação política. Foi no dia 8 de Maio de 1945, o dia do armistício. Já existia entre nós a noção do que foi a guerra, do que foi o nazifascismo, da aliança do Salazar com o Mussolini e o Hitler. Para mim isso era muito claro. Que não existia, de maneira nenhuma, isenção da parte do Salazar. Por Margarida Tengarrinha.

Abril 20, 2017

Recupero a liberdade com a liberdade do nosso país graças ao Movimento das Forças Armadas na Revolução de Abril. E sempre me faltarão as palavras para dizer esta emoção de saborear um sonho há muito sonhado, de encetar o resto da minha vida num país liberto da cinza dos dias oprimidos. Por Helena Neves.

Abril 18, 2017

Estava sempre numa ansiedade, desejando ir [de uma vez…] para tortura de sono. Queria ver-me livre daquilo. Tinha medo e sabia que esse era o meu destino, mais cedo ou mais tarde. Por Helena Pato.

Abril 16, 2017

No Reduto Sul, onde estavam os pides e não os guardas prisionais, fizeram-me uma coisa que seria incompreensível, se não fosse o objectivo de humilhar, particularmente por eu ser mulher. Despiram-me completamente. Por Aurora Rodrigues.

Abril 13, 2017

Havia muitas ligações entre o movimento estudantil e outros movimentos que queriam o fim do fascismo e a independência das colónias. Daí que houvesse tantas prisões de estudantes, vigorosamente denunciadas pela imprensa estudantil. Por Manuela Góis (Manu).

Abril 11, 2017

Na crise académica de 1969, as mulheres participaram massivamente, tanto nas assembleias de estudantes como nas manifestações, saindo da “concha” a que estavam circunscritas. Por Maria Etelvina Sá.

Abril 9, 2017

Despedi-me da minha mãe, do meu pai e da irmã com o coração apertado. Não sabia por quanto tempo seria a separação. E não podia adivinhar que nesse mesmo ano, em Agosto, seriam presos pela PIDE. E assim entrei eu na organização das “acções especiais”. Por Maria Machado.

Abril 6, 2017

A liberdade que nunca se imaginara poder ser tão grande, as esperanças quase sem limites dos tempos que se seguiram. Sim, tudo isso, mas foi longo o caminho de muitos para lá chegarem – e o meu também foi. Por Joana Lopes.

Abril 4, 2017

O meu primeiro confronto político foi com o padre que dava aulas de moral no Liceu de Setúbal e que, tinha eu dez anos, me disse “a menina é comunista”. Por Isabel do Carmo

Abril 2, 2017

Estava na clandestinidade quando se deu o 25 de Abril. Nunca esquecerei a emoção sentida ao tomar conhecimento do derrube da ditadura! O país tinha despertado vestido de Primavera! Por Graça Marques Pinto (Magaça).