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Volkswagen Autoeuropa 2012

Os trabalhadores já provaram ser possível aumentar a produtividade sem aumentar horários, demonstraram pelo que produzem e nas condições e qualidade com que o fazem, que merecem as férias, os dias adicionais e as outras regalias que tem.

O Grupo Volkswagen, em 2011, ultrapassa pela primeira vez a barreira dos 500 mil trabalhadores em todo o mundo e atinge um recorde de produção e vendas de 8 milhões de carros a que corresponde um recorde de lucros.

A Volkswagen Autoeuropa termina o ano de 2011 com uma das maiores produções da sua existência. A produção total ultrapassa as 133 000 unidades, 33% mais que a produção de 2010 e o equivalente a 1,66% da produção total do Grupo Volkswagen.

O número de trabalhadores com contrato com a Autoeuropa é na ordem dos 3500, aproximadamente 0,7% do total de trabalhadores do Grupo.

Perante um gigante destes, podemos colocar a seguinte questão - Quais são então as vantagens que a Volkswagen tira desta fábrica?
Os resultados económicos que até hoje tem permitido que a Autoeuropa amortize investimentos e tenha lucros, a mão-de-obra qualitativamente extraordinária, profissionalmente flexível, com uma média de idades jovem quando comparada com outras localizações europeias, mão-de-obra a que a marca e o grupo recorrem com assiduidade para trabalhos noutras fábricas.

Como vejo o ano de 2012 na produção automóvel?
2012, em termos de produção automóvel vai ser um ano difícil, principalmente na Europa Central e Ocidental.

O fraco crescimento demográfico fruto das políticas de precariedade, cujas principais vitimas são os jovens e que há anos têm vindo a dificultar a constituição de família, o aumento da desemprego que está a impossibilitar o acesso ao crédito, a crise do Euro e as erradas politicas para a combater, as justas preocupações ecológicas que levarão a um aumento progressivo na procura de carros eléctricos, (que a Volkswagen já começou a produzir no Leste da Europa), a recessão mundial que deixará de fora apenas 4 países, Rússia, China, Índia e Brasil, (e estes não são os mercados tradicionais da Volkswagen Autoeuropa), tudo isto são situações que a não sofrerem alterações positivas, não vão permitir que a Autoeuropa continue na onda de crescimento de 2011.

2012, vai pois ser um ano em que os numero de produção na Autoeuropa serão conhecidos e discutidos, trimestral ou mesmo mensalmente, haverá trimestres muito bons, haverá provavelmente meses menos bons e a Comissão de Trabalhadores, espero, lá estará para nos meses melhores, juntamente com a Direcção, encontrar os mecanismos necessários para produzir preferencialmente a 625 unidades dia, e nos outros, se necessário, recorrer aos Down Days, bem como a todas as ferramentas que permitam ultrapassar esses períodos sem perder direitos e principalmente procurando formas que garantam o trabalho de todos os que tem um contrato com a empresa e dos mais que forem necessários.

2012, será o ano do inicio da concretização do já anunciado investimento de 200 milhões de euros o que é um sinal positivo. Na Comissão de Trabalhadores, a maioria que a suporta muito lutou interna e externamente por este investimento, principalmente junto da casa mãe (porque estamos numa época de esquecimentos, não é demais recordar isto).

2012, é um ano em que mais do que nunca será necessário manter, (eu não tenho medo da palavra) a paz social que esta empresa tem mostrado ao Grupo VW e que lhe tem valido investimentos consideráveis, investimentos que em nosso entender devem continuar.
 
2012, será também ano de eleições para a Comissão de Trabalhadores e todos terão oportunidade de avaliar o trabalho de quem tem sabido aliar paz social com a manutenção e aumento dos direitos dos trabalhadores e de postos de trabalho.

2012, será ainda ano de negociações na Volkswagen Autoeuropa e estas terão que ser vistas não na perspectiva do ano em causa, mas no esforço despendido desde Outubro de 2010, e neste período, os trabalhadores já provaram ser possível aumentar a produtividade sem aumentar horários, demonstraram pelo que produzem e nas condições e qualidade com que o fazem, que merecem as férias, os dias adicionais e as outras regalias que tem.

Estas negociações, têm que ter em conta as previsões de crescimento do Grupo Volkswagen para o período que vai até 2018, garantindo por isso os postos de trabalho e melhorias salariais.

2012, deve ser aproveitado para continuar a melhorar a qualidade até atingirmos o topo da liga Volkswagen, preparar a fábrica para que logo que o mercado recupere, esta possa atingir a totalidade da capacidade instalada, deve ser também o ano para avançar com projectos que nos permitam sermos uma fábrica cada vez mais ecológica, melhorar a rentabilidade e tornarmo-nos na empresa em todos os aspectos mais apetecível para trabalhar no país.

Em 2003, na proximidade de uma crise tremenda, soubemos ser inovadores e garantir os postos de trabalho tendo com isso ganho a confiança da Volkswagen.

2012, com maior ou menor crise, não pode, nem deve ser diferente.
 

Sobre o/a autor(a)

Dirigente do Bloco de Esquerda. Coordenador da CT da Volkswagen AutoEuropa. Deputado municipal no concelho da Moita.

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