O mundo ao contrário

porPedro Filipe Soares

07 de outubro 2012 - 0:59
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Ao desnorte do Governo, juntou-se Cavaco Silva, incapaz de perceber a realidade e compreender as necessidades das pessoas que já não aguentam tanto aperto de cinto.

O Presidente da República hasteou a bandeira de Portugal ao contrário. De seguida, participou numa sessão comemorativa da República, de porta fechada à República. Por último, falou ao país, ignorando o brutal ataque fiscal. Não é a bandeira que está de pernas para o ar, é o país.

O país arrepiou-se com o novo pacote de austeridade. Os sacrifícios impostos às pessoas nunca são suficientes para o altar da austeridade. Há um ano atrás, o Governo garantia que os sacrifícios seriam passageiros e que o crescimento viria já no segundo semestre de 2012. Chegados aqui, o que cresceu foi o saque fiscal com um aumento brutal do IRS ou do IMI. A austeridade é um beco sem saída.

O discurso de Cavaco Silva ao país era aguardado. O Presidente, que já disse várias vezes que os limites dos sacrifícios estavam a ser ultrapassados não poderia ignorar esta realidade. No dia em que se comemora a implantação da República, essa responsabilidade presidencial era ainda maior. Com as notícias da desagregação da coligação, o tema era inevitável. O país esperava uma voz que chamasse o governo à razão: a austeridade já falhou, insistir na austeridade é aprofundar o falhanço e destruir o país. Mas, o Presidente foi ausente do momento do país e a República ficou órfã do seu presidente.

Ao desnorte do Governo, juntou-se Cavaco Silva, incapaz de perceber a realidade e compreender as necessidades das pessoas que já não aguentam tanto aperto de cinto. Os sinos da República tocam a rebate apelando à responsabilidade do país. A política de destruição que nos governa tem de ser vencida e todos somos chamados a esse combate. Não podemos ficar parados enquanto nos roubam o futuro.

O país está de pernas para o ar. Em vez de caminhar em frente, querem forçar-nos um regresso ao passado, à destruição de conquistas civilizacionais e de direitos que fazem parte da nossa identidade. O mundo está ao contrário e é tempo de o endireitar.

Pedro Filipe Soares
Sobre o/a autor(a)

Pedro Filipe Soares

Deputado, líder parlamentar do Bloco de Esquerda, matemático.
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