A confiança no futuro é assegurada pelo desempenho no presente. A mudança histórica de conquistas tem sido sempre proporcional à dimensão dos protestos. A greve era proibida mas os trabalhadores não trabalhavam. Com medos e restrições foram arriscando à medida que iam conquistando. Protestavam na empresa e eram despedidos. Protestavam na rua e eram presos. Mas continuavam a reivindicar por direitos porque percebiam que só assim conseguiam. Ninguém lhes dava algo a troco de nada. Desobedeceram em forma de greve para ter direito à greve. Fizeram greve para ter contratos de trabalho, para ter direito a férias, salários e condições dignas. Marcharam para ter direito a assistência à saúde, à educação e à proteção social. E foram precisas muitas greves, muitas marchas, muito querer e muita gente com muita coragem.
Séculos de história de luta dos trabalhadores que temos de saber honrar. Nada se conquista sem a determinação do acreditar que tudo se pode transformar. É preciso batalhar para conquistar. É preciso entender a situação para a poder alterar. Estimular o ativismo, organizar a participação, engrossar a contestação, são tarefas que cada um aprende a fazer com os demais quando acredita nas razões do que faz. E quantos mais acreditarem maiores são os vínculos de cumplicidade na confiança da razão. Os laços de fidelidade da luta e a expansão do movimento de confiança, fazem acreditar que é possível inverter a falácia da inevitabilidade, que é possível contrariar o que nos querem impor, que é possível aplicar outras medidas e outras políticas que coloquem as sociedades numa trajetória mais humana e mais igualitária.
Hoje e agora, 2011, somos um Portugal à míngua sem vereda nem destino que prospetiva um país encalacrado com uma montra de progresso desastroso. 700 mil no desemprego. 900 mil sem contrato de trabalho. Milhão e meio são precários. 1/5 das famílias vivem em estado de pobreza. O Salário médio é de 750 euros. 460 mil auferem até o deplorável salário mínimo. Perante este diagnóstico calamitoso a resposta governamental é assombrosa. Extorquir direitos e cortar salários. Roubar subsídios e aumentar a jornada laboral. Taxar o rendimento do trabalho e isentar o capital financeiro. Aumentar os impostos, encarecer os transportes, a energia e os bens alimentares, delapidar serviços públicos para os privatizar. É o austeritarismo neoliberal da Troika com a anuência incondicional da malabarice do governo. A intenção é que as medidas de austeridade se tornem perenes, o povo esteja cada vez mais pobre, o país mais endividado e a pagar mais juros de divida, a qualidade de vida dos filhos inferior à dos pais e as nossas vidas mais dependentes do mercantilismo. Cada um de nós passa a ser um número no recenseamento dos mercados em stress.
Temos que saber inverter a marcha deste moderno esclavagismo em que a ditadura do mercado se sobrepõe à democracia dos direitos e em que cada vez mais lutamos para não perder sem almejar prosperar. A nossa resposta tem de ser na proporção do perigo da situação. É preciso alertar para a responsabilidade da nossa ação porque o que está em causa é a caução das nossas vidas sem qualquer garantia de as poder viver com dignidade.
Temos de saber lançar iniciativas de vasto alcance e com possibilidade de êxito através de uma ampla e ativa base popular. Para esta greve é necessário agitar todo o país, apoquentar todas as pessoas, fazer perceber do que se trata e do que está em causa, despertar consciências para que cada um entenda o que pode e deve fazer e que consequência tem se nada fizer.
O Futuro decide-se agora. 24 de Novembro é a nossa resposta, é a nossa marcha, é a nossa luta. A Greve Geral é a nossa arma, é o nosso poder, é a nossa conquista.
Como diz o povo: só alcança quem não cansa! A escolha é entre a resignação e a rejeição, entre o laxismo e a audácia, entre a submissão e o confronto. Entre perder e (re)conquistar. Temos de saber usar a nossa imensa força porque é na luta que se vencem as causas. Dia 24 lá nos encontramos, numa praça central de qualquer cidade deste país, porque a greve é de e para todos.