Num comício em Viana do Castelo, coordenador do Bloco de Esquerda diz que o PEC "desiste completamente do país" quando se podia cortar na despesa extravagante, como os submarinos.
"Portugal, que é um país marítimo, pode deixar de ter construção naval? Pode acabar com os estaleiros? Pode perder-se o trabalho de mil pessoas? Não se pode", questionou Francisco Louçã, coordenador do Bloco de Esquerda, esta segunda feira, num comício em Viana do Castelo
Para Louçã, a eventual abertura dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo aos capitais privados, prevista no Programa de Estabilidade e Crescimento, pode pôr em risco o futuro da empresa: "A privatização é um passo para perder os Estaleiros Navais de Viana do Castelo", disse à Lusa Francisco Louçã, lembrando os exemplos da Lisnave e da Setenave.
"A Lisnave foi privatizada, foi destruída, todos os trabalhadores foram corridos e foi vendida por um dólar, para agora o terreno ser de especulação imobiliária. Na Setenave, já quase não há trabalhadores, a não ser subcontratados, a trabalhar e a viver em contentores", disse.
Em julho de 2009, o então ministro da Defesa Nuno Severiano Teixeira afirmou que o grupo Damen poderia entrar no capital dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo, mas garantiu que seria "sempre com uma posição minoritária".
O coordenador do Bloco de Esquerda criticou as privatizações previstas no PEC, apontando que "só duas das empresas que vão ser vendidas, os Correios e a pequena parte que o Estado tem ainda na EDP, dão 137 milhões de euros de receitas ao Estado", ou seja, "vai-se vender aquilo que dá lucro", criticou.
Para Louçã, o PEC "desiste completamente do país" e do emprego quando se podia cortar na despesa extravagante, como os submarinos. Além disso, o PEC só prevê recuperar o mesmo número de empregados que se perdeu em Novembro e Dezembro de 2009, criticou.