PJ investiga "luvas" de 5 milhões de euros no caso "Freeport"

23 de janeiro 2009 - 12:57
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Sócrates atribui investigações à proximidade das eleiçõesA Polícia Judiciária está a investigar a circulação de 5 milhões de euros em contas "off-shore" de um tio de José Sócrates, por suspeita de ligação ao pagamento de "luvas" para o licenciamento do Freeport de Alcochete. O escritório de Vasco Vieira de Almeida também está a ser investigado. Três dias antes das eleições de 2002, Sócrates foi co-autor do despacho que reduziu a Zona Protegida do Estuário do Tejo e viabilizou o empreendimento.

 

A Polícia Judiciária suspeita que algumas contas bancárias em "off-shore" possam ter sido utilizadas para a circulação de dinheiro destinado ao pagamento de "luvas" pelo licenciamento do Freeport de Alcochete. O montante em causa ascende a cerca de 5 milhões de euros e as contas estão ligadas a Júlio Monteiro, tio de José Sócrates.



As investigações da PJ às movimentações nas contas bancárias "off-shore" de Júlio Monteiro sucedem-se a buscas realizadas nos escritórios do Freeport, em 2005, e, já este ano, de Vasco Vieira de Almeida, advogado que integrou um governo socialista e foi mandatário de campanha de Mário Soares.



O licenciamento do Freeport de Alcochete, o maior da Europa, foi um processo longo e polémico. Em 2001 o projecto seria chumbado, devido a avaliação de impacto ambiental negativa, que levou à sua reformulação. Em 2002, o projecto acabaria por ser aprovado, após uma decisão governamental que reduziu a área da Zona Protegida do Estuário do Tejo.



José Sócrates, à altura ministro do Ambiente, foi um dos três autores do despacho que decidiu a redução da área protegida, permitindo a aprovação do mega-projecto do Freeport de Alcochete. O despacho foi assinado três dias antes da realização de eleições.