Freeport: Sócrates é suspeito para investigadores britânicos

29 de janeiro 2009 - 0:53
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Capa da VisãoA revista Visão desta quinta-feira afirma que um departamento de elite britânico de investigação de fraudes, o Serious Fraud Office, enviou para Portugal uma carta rogatória onde o primeiro-ministro José Sócrates aparece como suspeito de ter "solicitado, recebido ou facilitado" pagamentos no âmbito do processo de licenciamento do Freeport de Alcochete. A Procuradoria-Geral da República já fez saber que vai emitir esta quinta-feira um comunicado com esclarecimentos sobre este assunto.

Também a revista Sábado afirma na próxima edição que "os investigadores ingleses querem ver as contas bancárias do primeiro-ministro".

Segundo a Visão, na carta rogatória enviada pelo Serious Fraud Office, a polícia britânica quer ainda saber se José Sócrates terá "solicitado, recebido ou facilitado" pagamentos no âmbito do licenciamento do Freeport. Segundo a revista, "os investigadores também apontam o dedo a Manuel Pedro e Charles Smith", consultores contratados pelo Freeport para ajudarem nos trâmites necessários ao licenciamento do processo, e a quatro responsáveis ingleses ligados à empresa promotora.

A Visão menciona ainda o DVD com uma conversa entre Charles Smith e um administrador do Freeport, em que o primeiro terá confessado o pagamento de luvas e referido o nome de José Sócrates, que na altura era ministro do Ambiente. A gravação não serve de prova em Portugal.

Para os órgãos portugueses que estão a investigar o caso, nomeadamente o Departamento Central de Investigação e Acção Penal, continua a não haver "indícios jurídicos relevantes" que impliquem qualquer governante português.

Segundo a Sábado, as autoridades portuguesas estão a investigar um e-mail que terá sido enviado pela empresa Smith & Pedro (intermediária no processo de licenciamento do centro comercial) para um "alegado domínio pessoal de Sócrates". As autoridades portuguesas estariam interessadas nas contas bancárias das empresas de Júlio e Hugo Monteiro, tio e primo de Sócrates, porque suspeitam que dupla terá "recebido cerca de dois milhões de euros dos representantes do Freeport em Portugal".

O Serious Fraud Office (Departamento de Fraudes Graves) é um órgão do governo britânico que responde directamente ao Ministro da Justiça britânico e foi criado em 1987 para investigar casos de fraudes de grande complexidade, que envolvam valores de mais de um milhão de libras.

Normalmente este departamento não investiga mais de 80 casos simultaneamente e só assume a investigação de 30 a 40 casos por ano. A larga maioria dos casos de fraude da Grã-Bretanha é investigada pela polícia. A Serious Fraud Office não é uma força policial, e os seus membros não têm poder de deter suspeitos.