
A catadupa de denúncias que atingem o primeiro-ministro José Sócrates prosseguiu neste fim-de-semana. O semanário Sol publica extractos de e-mails trocados entre responsáveis do Freeport e Charles Smith, o mediador do licenciamento do empreendimento de Alcochete, que referem um pagamento para que a Declaração de Impacto Ambiental tivesse sido aprovada. Por outro lado, o Expresso afirma que há pelo menos duas testemunhas contactadas pelo jornal que confirmam que ouviram falar em pagamentos de 500 mil contos (2,5 milhões de euros) a José Sócrates.
Em Ferreira do Alentejo, o primeiro-ministro disse estar "preparado para resistir a todas as ignomínias desta campanha, que fazem contra mim e contra a minha família".
"Mais dúvidas para Sócrates explicar" e "E-mails fatais" são os títulos dos dois semanários Expresso e Sol, respectivamente, e trazem de novo para as primeiras páginas o nome de Sócrates e o caso Freeport.
Num dos e-mails publicado pelo Sol é pedido que o dinheiro para a aprovação da Declaração de Impacto Ambiental seja enviado em duas tranches, e num outro a empresa Smith & Pedro afirma que o processo deveria estar concluído antes de o novo Governo tomar posse, o que pode levar à conclusão de que havia um conhecimento antecipado das decisões oficiais e das datas em que seriam tomadas.
Ainda segundo o Sol, os "e-mails implicam José Sócrates e responsáveis de organismos do Ministério do Ambiente e da Câmara de Alcochete numa negociação quanto aos passos a dar para conseguir que o empreendimento tivesse luz verde".
Já o Expresso afirma que duas pessoas ligadas ao empresário Manuel Pedro, sócio de Charles Smith, e contactadas pelo jornal confirmaram que "o ouviram dizer, várias vezes, ter pago 500 mil contos (2,5 milhões de euros) a José Sócrates", enquanto outras duas dizem "nada ter ouvido" e há ainda "quem se recuse a falar".
O ex-secretário de Estado do Ambiente Rui Gonçalves, que assinou a Declaração de Impacte Ambiental que autorizou o Freeport, classificou como uma "campanha de desinformação" as notícias do Sol. "Estes e-mails são mais uma campanha de desinformação. Acho que há claramente um fornecimento de pseudo-informações aos órgãos de comunicação social".